O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 23/10/2017
No limiar do século XVI, o Brasil, na época Pindorama, foi descoberto por Pedro Álvares Cabral. A terra era ocupada por diversas tribos primitivas, que grande parte foi dizimada ou usada como mão de obra escrava, até a chegada dos jesuítas. Com a presença dos mesmos, os índios começaram a ser catequizados e aprenderam o idioma dos colonizadores, perdendo a essência de suas culturas devido a um ponto de vista etnocentrista. Hodiernamente, o panorama acerca dessa problemática não obteve avanços significativos, uma vez que os indígenas sofrem por questões étnicas e territoriais.
Em uma primeira análise, sob uma ótica social, muitos indivíduos do corpo social acreditam que todos os índios são iguais. Entretanto, de acordo com o censo de 2010 do IBGE, no Brasil há mais de 305 etnias e 274 idiomas. Esse ponto de vista etnocentrista é decorrente do passado histórico brasileiro, que desvalorizou a cultura indígena por séculos, destruindo a capacidade da sociedade exercer a alteridade.
Ademais, em segundo plano, de acordo com o Censo de 2013 feito pelo IBGE, 12,5% do território brasileiro pertence aos indígenas. Contudo, mesmo com a demarcação territorial feita pela FUNAI, ainda há constantes conflitos por terra entre os índios e latifundiários. Essa hostilidade é resultante do avanço do agronegócio, extração ilegal e construção de hidrelétricas que exigem um amplo espaço, que na maioria das vezes pertencem aos indígenas. Consequentemente, para conseguir a área que almejam, os empresários e os fazendeiros recorrem a métodos violentos, como torturas, despejo de venenos e até mesmo estupros, aumentando a taxa de mortalidade dos índios.
Dessa forma, visto que a visão etnocêntrica acerca dos índios está de maneira intrínseca na sociedade, é necessário que a mídia através de outdoors e comerciais, sobretudo em horário nobre, mostre as dificuldades e a realidade dos mesmos. Também é preciso que o Poder Legislativo, juntamente com a FUNAI e o Poder Executivo, estabeleça um sistema normativo sem brechas e com uma aplicação efetiva, em relação à demarcação territorial dos indígenas. Assim, formando um corpo social cada vez mais humanitário e com uma grande riqueza cultural.