O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 15/10/2017
Na obra Iracema, do romantista José de Alencar, o indígena era uma representação do nacionalismo idealizado e da harmonia com a natureza. Contudo, é perceptível que tal valorização não se perpetuou na contemporaneidade, dada a exclusão social dos índios em decorrência do preconceito. Assim, é evidente a necessidade de intervir para que a condição de igualdade e valorização dos aborígenes seja restaurada, assim como apontam os direitos humanos.
Em primeira análise, a exclusão social sofrida pelos indígenas é um prolongamento de um preconceito retrógrado criado na época da ocupação do Brasil. Isso porque desde a colonização portuguesa, no século XVI, foi imposto ao índio uma posição de submissão à cultura eurocêntrica. Entretanto, esse tipo de ideologia ultrapassada não pode ser mantida, já que a tradição aborígene possui mesmo valor cultural na diversidade que, felizmente, é bastante presente no Brasil. Além disso, há um dívida história do brasileiro com esse grupo étnico que sofreu com a opressão da dominação e, por isso, deve ter garantida a posse de terra e a integração social. Dessa forma, fazem-se necessárias intervenções governamentais na valorização do aborígene para que essas sanem a diferença histórica.
Outrossim, a opressão do índio é potencializada porque diverge dos interesses econômicos de uma sociedade de acentuado caráter capitalista. Isso em razão de as reservas indígenas desses serem limitadoras do lucro das mineradoras e dos latifundiários. No entanto, conforme o biólogo Leonardo Boff, “tudo que vive deve ser preservado para continuar existindo”, ou seja, tanto as reservas quanto as culturas indígenas devem ser preservadas para que se estanquem os efeitos negativos da exploração desenfreada. Ademais, a cultura aborígene possui hábitos de harmonia com a natureza dos quais o país deve levar de exemplo para sua produção, pois hoje sofre-se com os efeitos do desrespeito com a natureza, como o efeito estufa e a poluição hídrica. Portanto, é imprescindível que ações sejam tomadas em nome da defesa da cultura e do ambiente, acima de interesses econômicos.
Logo, a desvalorização dos indígenas vista atualmente é reflexo da exclusão histórica e da submissão a interesses econômicos. Para que tal problema seja atenuado, o Ministério da Educação é incumbido de educar para reconhecimento da presença da cultura indígena no cotidiano, por meio de debates nas salas de aula, com o fito de motivar o respeito e a igualdade entre todas as etnias. Também é de responsabilidade de ONGs prezar pela defesa das reservas indígenas, por intermédio da fiscalização voluntária nos locais de conflito por terra, a fim de que a economia não se sobreponha a essa cultura. Por último, os canais de TV devem, a partir de programas informativos, conscientizar o povo sobre a importância do indígena na formação do país, para que o valorize dentro da sociedade.