O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 10/10/2017

“Sem fé, sem lei e sem rei”, essa foi a descrição de Pero Vaz de Caminha ao se deparar com os povos que chamariam de índios ao pisar em terras brasileiras. Tal consideração possui um teor de etnocentrismo por considerar o sistema europeu como único e superior. Devido a essa herança histórica, na conjuntura hodierna, esses indivíduos têm enfrentado desafios relativos às questões socioculturais e econômicas.

Antes de tudo, vale ressaltar a nítida e recorrente desvalorização da imagem indígena. Em razão de um processo de europeização sofrido pela sociedade brasileira, desde a colonização, muitos encaram a cultura nativa como inferior e indiferente, enquanto os valores e costumes estrangeiros recebem notoriedade. De acordo com o escritor Nelson Rodrigues, um “complexo de vira-latas” é evidenciado nos brasileiros, ao designarem as aparelhagens culturais nativas com certo desdém. Destarte, a herança etnocêntrica permeada por ignorância acarreta uma invisibilidade sociocultural.                 Somado a isso, surge o conflito da luta por terras ocasionada por uma colisão com os interesses econômicos externos. No contexto brasileiro, os setores do agronegócio têm se engajado em expandir a produção agrícola para áreas já pertencentes às diversas tribos, o que resulta, por vezes, numa saída coagida. Outrossim, essa exploração também mobiliza outros povos a exigirem seus direitos à terra demarcada e respeitada, não obstante a demora judicial agrava o infortúnio. Assim, as garantias de preservação citadas no Estatuto do Índio são colocadas em xeque, enquanto desapropriações ameaçam povos indígenas.

Torna-se evidente, portanto, a essencialidade de romper com esses laços nocivos herdados. Nesse sentido, as instituições educacionais poderiam realizar projetos e feiras periódicas que trabalhassem a fundo os costumes e hábitos dos nativos, além de sua diversidade, a fim de promover seu reconhecimento e contribuição para a sociedade atual. Por fim, o Poder Judiciário deveria punir os responsáveis pela infração das leis concernentes ao direito às terras indígenas, além de agilizar tais casos contratando mais profissionais. Dessa forma, uma nova conceituação acerca do índio acatará a simultaneidade: singularidade e pluralidade.