O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 11/10/2017

Segundo o geógrafo Milton Santos, “o simples nascer investe o indivíduo de uma soma inalienável de direitos”. No entanto, a população indígena brasileira é privada de vários direitos estabelecidos pela Constituição de 1988. Assim, são discriminados, não há uma demarcação de terras justa e não possuem assistência pública eficiente. Isso é um reflexo de uma colonização eurocêntrica, que exterminou, escravizou e marginalizou o índio. Nesse sentido, adotar ações afirmativas que preservem a cultura e a tradição, além de colocar os direitos em prática, mostram-se o melhor caminho para mudar esse cenário.

Em “Modernidade Líquida”, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman discorre sobre a superficialidade e a efemeridade dos relacionamentos humanos. Para ele, os laços estão cada vez mais frouxos e líquidos. Por certo, sua teoria se relaciona com a questão indígena no Brasil, visto que o atual panorama do país é embasado na falta de altruísmo, no individualismo e no preconceito. Dessa forma, o índio é estereotipado, devido à sua língua, vestimentas e crenças, vítima de exclusão social e violência, além de não ter a cultura valorizada, dificultando a sua preservação. Ademais, com uma bancada ruralista no Congresso, que visa os interesses dos grandes latifundiários, a demarcação de terras indígenas — que servem para sua sobrevivência — está cada vez mais difícil.

Ainda nesse contexto, as comunidades indígenas possuem vários outros problemas. Isso porque, além da falta de terras, as que já estão homologadas sofrem com o avanço da agropecuária, com a mineração e madeireiras, causando desmatamento e destruição de direitos já conquistados. Além disso, vários índios não possuem assistência médica e educacional de qualidade, privando a cidadania desses povos e dificultando sua interação com a sociedade nacional e o conhecimento de seus valores e costumes.

Fica claro, portanto, que o índio brasileiro ainda sofre as consequências de um passado conflituoso. Logo, faz-se necessário que o Governo Federal exija o cumprimento da Constituição, demarcando terras e protegendo os indígenas da violência e da destruição de seu território, dando mais autonomia à FUNAI (Fundação Nacional do Índio). Além disso, juntamente com ONG’s, deve investir em campanhas de valorização da cultura indígena, além de investir em educação e saúde em suas comunidades. Talvez assim , consigamos minimizar os efeitos da colonização e ver índios tendo seus direitos garantidos e suas tradições preservadas e respeitadas.