O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 09/10/2017
Descritos por Pero Vaz de Caminha como uma gente sem fé, sem lei e sem rei, os tupinambás encontrados no Brasil em 1500 foram explorados e dizimados pelos portugueses. Destarte, é incontrovertível que o eurocentrismo e a xenofobia presentes à época do descobrimento trazem más consequências até os dias hodiernos. Com isso, no país que sempre os pertenceu, os índios ainda lutam pelo direito à terra e sofrem a discriminação de uma sociedade que tem pouco ou nenhum contato com sua cultura.
Dez anos após a sua aprovação, o Brasil anda na contramão dos compromissos assumidos na Declaração da ONU sobre os Direitos Indígenas. Logo, apesar de terem ascendido demograficamente, esses povos são negligenciados pelo Governo Federal, que demarca cada vez menos as áreas que os pertencem. Consequentemente, acresce o número de mortes em conflitos por terra e, entre fazendeiros, posseiros, grileiros e indígenas, esse último grupo apresenta o maior número de vítimas, segundo o Instituto Socioambiental. Além disso, por incorporarem hábitos não-indigenistas ao seu dia-a-dia, como o uso da internet, esses sofrem preconceito, como se, para terem sua identidade respeitada pelo tecido social, precisassem viver alheios às evoluções tecnológicas.
No entanto, essa questão está longe de ser resolvida. Como em um ciclo vicioso, é necessário que as pessoas conheçam mais das tradições e manifestações culturais ameríndias para desfazer preconceitos sobre esses e, para isso, a homologação de terras é de suma importância, pois são lugares onde as mais diversas etnias podem perpetuar seus costumes e modos de vida. Por fim, para que órgãos oficiais conduzam ações eficientes diante dos direitos garantidos pela Declaração da ONU, é preciso que o corpo social em geral dê voz a essa causa e, diante do pouco ou nenhum conhecimento sobre tal, isso é, praticamente, impossível.
Dessa maneira, medidas são necessárias para que os índios contemporâneos, diferentemente dos tupinambás, tenham seus direitos garantidos. Assim, é necessário que as emissoras de televisão, exponham, por meio de comerciais, as causas desses povos para que a sociedade também se posicione diante dessa luta. Por conseguinte, internautas e organizações, como o Greenpeace, devem, por meio das redes sociais, pressionar o Governo Federal a fim de que os 13% de terra que pertencem aos primeiros habitantes do Brasil lhes sejam assegurados e, desse modo, eles possam perpetuar suas tradições em um ambiente totalmente seu. Finalmente, é necessário que o Ministério da Educação promova viagens escolares a reservas indigenistas para que os alunos conheçam etnias e costumes, pois o preconceito nada mais é que o resultado da ignorância, ou seja, da falta de conhecimento.