O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 05/10/2017
Durante o período militar, houve no Brasil a implantação de um discurso de exaltação às culturas indígenas numa tentativa de fortalecimento do patriotismo como estratégia de manutenção de posse do poder político. Hoje, no entanto, a realidade indígena brasileira é marcada pela luta desses povos pela validação dos seus direitos e contra o preconceito.
A tentativa falha de reconhecer a importância das culturas indígenas na década de 60 teve como premissa a máxima Socrática “conhece-te a ti mesmo”, visto que, a herança cultural indígena representa uma “Fonte Chave” na busca antropológica de explicar ,e assim desenvolver , a sociedade brasileira. Dessa maneira, é possível atribuir, a atual desvalorização do índio à falta de educação dessa nação acerca da contribuição histórica desses povos. Consequentemente, tal realidade promove espécies de rótulos pelos quais a sociedade busca padronizar os índios, colocando-os num estigma de privação do desenvolvimento. É o que se observa pela existência de discursos, amplamente reproduzidos na atualidade, tais como “índios não devem usar roupas ou Internet” e pelas ações de violência, à exemplo do caso do índio que foi assassinado queimado ao dormir enquanto participava de um protesto em Brasília.
Além disso, a situação indígena contemporânea é marcada pela resistência no que diz respeito à validação dos seus direitos à posse de reservas de terras. Pois, apesar da existência de leis que garantem que garantem que 12,5% do território brasileiro pertence aos índios, são cada vez mais constantes as ações ilegais de ocupação desses territórios, principalmente em prol do agronegócio. Situação que fere a constituição e que torna válida a crítica de Gilberto Diemenstein, ao afirmar que “No Brasil as leis existem, mas não saem do papel”.
Dessa forma, percebe-se a necessidade de adoção de medidas com a finalidade de modificar a situação de estigmatização, preconceito e desrespeito ao território indígena. Assim, As escolas em parceria com o Ministério da Cultura e do Turismo devem promover “Aulas de Campo” em museus e localidades tribais, fomentando assim, pela educação, o respeito pela cultura desses povos. Além disso, o Ministério Público, juntamente com os cursos de tecnologia das universidades locais, devem criar e distribuir um dispositivo de GPS que indique eventuais tentativas de invasão e violação do direito à terra em localidades indígenas, em prol de proteger a porcentagem do Brasil que hoje se destina ao povo que inteiramente já o possuiu .