O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 04/10/2017

Durante o século XIX, a primeira geração do Romantismo, no Brasil, heroificava o índio e enaltecia suas virtudes. Contudo, na contemporaneidade, esse grupo, que possui grande diversidade cultural, é vítima de uma visão determinista por parte da sociedade e da dependência econômica brasileira no setor agrícola. Dessa maneira, faz-se necessário esclarecer tais questões.

É importante, primeiramente, salientar sobre a Constituição Federal de 1988. Ela, pois, dá ao Estado a tutela em relação às causas sociais dos nativos. Todavia, o crescimento das atividades exportadoras, como as commodities, tem influência sobre políticas ligadas ao tema. Em consonância, dados do IBGE ratificam essa perspectiva. Segundo o instituto, toda a cadeia do agronegócio corresponde a mais de 20% do Produto Interno Bruto nacional. Destarte, há o negligenciamento de alguns órgãos públicos para com a FUNAI e, também, com projetos que visam conter o avanço indiscriminado da fronteira agrícola sobre as reservas indígenas.

Ademais, a filosofia do “bom selvagem”, elaborada por Rousseau, está presente na mente dos brasileiros, mesmo que inconscientemente. De acordo com o iluminista francês, o homem é bom por natureza, mas o processo civilizatório o corrompe. Isso  explica a forma limitada de como a sociedade analisa o índio nos dias de hoje: ingênuo e manipulável. Em consequência desse pensamento, eles ficam sem atividades que lhe deem sustento e suscetíveis a atos ilícitos, a exemplo de suborno para a extração ilegal de madeira. Fica claro, portanto, que isolá-los objetificando sua preservação não é a melhor maneira de tratar a situação.

Diante dessa problemática, consta-se que a passividade das autoridades e a retirada das etnias nativas da condição de vítimas precisam ser colocadas em pauta. A princípio, o MEC pode oferecer cursos que busquem instruir os indígenas a terem conhecimento científico e acadêmico quanto a preservação ambiental e, assim, credenciá-los como fiscalizadores de suas reservas, garantindo-lhes um trabalho e sustento financeiro. Também, torna-se necessário o Estado, junto a iniciativa privada e FUNAI, conceder acesso à internet, meios de comunicação e energia elétrica aos grupos que aceitarem a integração. No entanto, deve haver o acompanhamento de antropólogos para que as benesses da civilização não ameacem a identidade cultural desses povos. Logo, considerar essas pessoas como seres humanos e não como animais em extinção é o primeiro passo a ser dado na atenuação dos problemas.