O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 03/10/2017
No século XIX, auge do romantismo brasileiro, obras como “O Guarani”, do escritor José de Alencar, trabalhavam o índio de forma idealizada, com o fito de fortalecer a identidade nacional. No Brasil hodierno, contudo, tal grupo social é visto de forma contrária ao ideal do romantismo, sendo enxergado como possuidor de culturas inferiores e, muitas das vezes, tendo seu território invadido e dominado. Nesse sentido, o desrespeito em questão é fruto de um olhar etnocêntrico que permaneceu por séculos, sendo necessário combatê-lo.
Primeiramente, cabe dizer que o esteriótipo trazido com a visão do colonizador, de que o índio é alguém selvagem e passível de ser explorado, é uma das raízes do desprezo para com os indígenas. Nessa acepção, o ínfimo papel da escola na difusão do conhecimento sobre os primeiros habitantes do País resulta na persistência desse olhar: ao se analisar a grade curricular da matéria de História do Brasil no ensino médio, observa-se que o primeiro conteúdo a ser visto é a chegada dos portugueses, deixando de lado o estudo da pluralidade cultural dos povos que já habitavam o território. Assim, os alunos crescem com a única visão que lhes é apresentada: a do colonizador.
Em consequência de tais fatores, o desrespeito leva à infração de direitos indígenas, a exemplo da desagregação territorial. Prova disso foi o internamento de indígenas de etnia gamela em abril de 2017, o que ocorreu após um contronto com fazendeiros movidos por interesses territoriais no Maranhão, notícia divulgada pelo G1. Casos como esse evidenciam a alarmante situação do índio no Brasil contemporâneo, deixando clara a necessidade de se reverter esse estado de crise.
Portanto, medidas fazem-se necessárias, a fim de se corrigir a visão errônea sobre o índio e amenizar suas consequências. Para esse fim, cabe ao Ministério da Educação aperfeiçoar os parâmetros curriculares nacionais do ensino médio, o que deve ser feito por meio da inclusão do estudo sobre a diversidade cultural e étnica dos povos indígenas nas escolas, com a finalidade de fomentar um maior respeito a esses povos. Ademais, é dever dos Ministérios Públicos Estaduais fornecerem meios de denúncia para invasões territoriais, as quais poderão ser feitas pelos próprios índios; o agente em questão ainda deve fornecer maiores recursos financeiros à FUNAI, para que seja feita uma vigilância mais efetiva ao redor dos territórios indígenas.