O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 18/10/2017
De acordo com Émile Durkheim, a sociedade é como um organismo vivo e ela, assim como este, precisa que suas partes interajam entre si, de forma igualitária e coesa, para que ocorra um desenvolvimento saudável. Contudo, em diversas sociedades, como a brasileira, tal desenvolvimento não é verificado, haja vista os diversos problemas enfrentados pelos povos indígenas, acarretando uma série de fatores.
Em primeira análise, vale ressaltar que a Constituição Federal garante a demarcação de terras aos nativos. Todavia, na prática, isto não ocorre, em razão dos interesses de terceiros serem colocados à frente dos próprios índios. De acordo com o levantamento do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), existem – em tramitação no Congresso e Senado – mais de 30 propostas anti-indígenas que visam a apropriação das reservas, para exploração de recursos naturais, por mineradores e fazendeiros. A Proposta de Emenda à Constituição, PEC-215, é a mais ameaçadora, pois transfere a decisão final da demarcação ao Poder Legislativo, e pode, ainda mais, dificultar o acesso à terra pelos povos em questão, haja vista que a bancada ruralista pode beneficiar o agronegócio, em detrimento destes.
Diante disso, notam-se os graves efeitos que o desligamento do local sagrado e a marginalização trazem às pessoas em análise. De acordo com o Ministério da Saúde, a média de suicídios entre os índios é quase o triplo da média nacional. Isso se deve, entre outros fatores, ao forte preconceito que muitos cidadãos possuem, como a ideia de que lugar de índio “é no meio do mato” manuseando arco e flecha. Em decorrência da exclusão social, diversos indígenas, principalmente jovens, buscam no álcool uma escapatória da realidade e, em casos mais graves, o suicídio.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para amenizar o impasse. Tendo em vista a questão exposta, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), em parceria com ONG’s – como o CIMI – deve reforçar suas exigências, convocando – através das redes sociais – pessoas para manifestações populares, em avenidas e praças, com o fito de mostrar ao poder público que existem cidadãos que se preocupam com a questão indígena, além de intermediar acordos com este no tocante a demarcação de terras, tentando – da melhor forma possível – destacar os interesses dos povos. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com escolas, deve criar pôsteres e cartilhas para serem distribuídos nestas, como também convidar lideranças indígenas para ministrarem palestras acerca de suas culturas, a fim de impulsionar debates sobre o tema de forma a incentivar crianças e jovens a crescerem conscientes da importância do respeito ao próximo. Dessa forma, um dia, o Brasil poderá ter o desenvolvimento proposto por Durkheim.