O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 29/09/2017
No Quinhentismo-primeiro período literário do Brasil- Pero Vaz de Caminha já informava em suas cartas, com caráter descritivo e estrangeiro, a necessidade de salvar os povos indígenas que vivam em terras brasileiras. Assim, a colonização portuguesa e a catequização impostas pelos jesuítas aos indígenas representaram o não reconhecimento da cultura dos nativos. Hodiernamente, o que observa-se são ainda as raízes desse processo histórico, cultura e social que deixou marcar significativas para os índios, levando os mesmos à subordinação de um papel em segundo plano no país e com dificuldades para reafirmarem-se no contexto atual.
Em um outro momento da literatura brasileira, o Romantismo, a fase indianista expressa a visão do índio como o herói nacional. Afirmando e valorizando, em contrariedade ao pensamento quinhentista, a importância que estes povos tiveram para a construção da nação; entretanto, o que encontra-se, contemporaneamente, é a perda dessa valorização cultural e étnica. Explicitando em processos etnocêntricos como a aversão a população indígena, violência verbal e física e ações preconceituosas. Recentemente,na cidade de Pau Brasil-Bahia, um índio foi morto e encontrado sem órgãos. Logo, confirmando a presença de direcionamentos hostis a estas etnias.
Em virtude dos aspectos mencionados, percebe-se que os fatores históricos foram grandes contribuintes para a desvalorização dos índios na atualidade. Desse modo, um outro fator determinante que coopera para a o não reconhecimento dos mesmos é a extração ilegal de recursos naturais em território indígena. Assim, o espaço em que esses povos habitam possui uma biodiversidade abundante e muitos exploradores obtêm interesse em realizar atividades neste local como a atividade mineradora e a obtenção de propriedades hídricas. Um acontecimento recente, é a construção de uma usina hidrelétrica, em Belo Monte, em terras indígenas, temendo que essa produção possa afetar os rios e a sobrevivência dos povos que ali residem. Ratificando, portanto, a invasão do espaço que lhes é garantido pela Constituição e que expressa o modo de vida dos povos.
Infere-se, por fim, que a não valorização dos índios é uma mazela para a sociedade. Espera-se que o Estado- em função do erro histórico- em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai) criem medidas socioeducativas como aulas e palestras acerca do assunto; deve ser implantado, no currículo de literatura, o fortalecimento da valorização da cultura indigenista para que atinja-se o reconhecimento e a igualdade que essa minoria social representa para o Brasil. Além disso, a mídia-como agente de persuasão e conscientização- deve organizar campanhas publicitárias, através de publicidades para que a população atente-se ao problema e, consequentemente, diminuir a problemática.