O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 02/10/2017

“ Parece-me gente de tal inocência que, se os homens os entendessem e eles a nós, seriam ótimos cristãos“, o trecho da carta de Pero Vaz de Caminha, em 1500, inicia o culto do “bom selvagem“ para fazer menção ao indígena brasileiro. Em 2017, exata visão infelizmente mostra-se naturalizada. Um dos reflexos dessa sobreposição cultural são a violência e o desrespeito contra os índios, as quais são cada vez mais comuns.

Sobre isso, em primeiro lugar, é preciso ressaltar que em um país com tanta diversidade é incompreensível o histórico de agressões praticas a seus nativos. Entretanto, ainda se somam, por exemplo, os confrontos por terras, entre fazendeiros que não respeitam as demarcações de propriedades indígenas. Isso é perfeitamente ilustrado em casos como o ocorrido no Maranhão, que deixou dez índios e três fazendeiros feridos. O indígena que se encontra em estado mais grave acentua a seriedade da disputa, esse teve os dois antebraços decepados por golpes de facão.

Ademais, a massa social ainda alimenta uma visão extremamente idealizada do indígena, a qual contém certa herança do Romantismo no Brasil. Há quem inclusive afirme que os índios estão abandonando sua identidade cultural por fazer uso de aparelhos como o celular, ou mesmo, por dispor de um carro. Esses parecem não compreender que todas as culturas são mutáveis, e assim como os brasileiros contemporâneos diferem muito dos brasileiros do século XIX, os indígenas também sofreram naturais transformações em seus costumes.

Por conseguinte, para que a visão propagada por Caminha seja aos poucos extinta do Brasil, cabe a FUNAI pressionar o poder judiciário a fim de que esse disponibilize escolta policial frequente nas propriedades indígenas, zelando para que as reservas sejam respeitadas. Quanto à mídia fica o papel de conscientização social, por meio de palestras, comercias de TV, e matérias em jornais que denunciem os abusos e façam a população refletir sobre o lugar concedido ao índio no Brasil. Talvez assim, será possível construir um futuro humanizado á esse povo.