O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 26/09/2017
Desde o início do século XVI, momento da chegada dos colonizadores portugueses em terras tupiniquins, o mundo vivencia um dos maiores genocídios de sua história. Além da destruição de diversas etnias indígenas, muitas tribos tiveram transformações culturais impostas sem que houvesse uma integração social igualitária. As consequências desse domínio podem ser verificadas até os dias atuais.
Durante o processo colonial, as populações nativas sofreram inúmeros tipos de agressões. Destaca-se inicialmente o extermínio de tribos resistentes às incursões em seus territórios. Em um segundo momento, a imposição cultural, dada principalmente através das missões de catequização. Uma vez que o domínio e a imposição cultural foram realizados de forma forçada, os povos indígenas acabaram não sendo introduzidos de forma igualitária na sociedade e, com o passar do tempo, passaram a viver na marginalidade do campo e das cidades. Mais de 500 anos depois, verifica-se que poucas medidas foram tomadas para qualificar a vida dos indígenas.
Segundo o IBGE em 2012, a população indígena era de aproximadamente 900 mil habitantes, destes 1/3 vivia em meios urbanos e menos de 5 mil possuíam acesso à universidade. Porém, a situação torna-se ainda mais grave no meio rural. A expansão descontrolada do agronegócio agrava ainda mais o êxodo e está associado a diversos assassinatos de indígenas. A falta de divulgação e a impunidade verificada na maior parte dos casos acabam intensificando os atos violentos. Recentemente este fato foi destacado pela luta territorial travada por parte dos índios Guarani Kaiwá do Mato Grosso do Sul, que não só passaram a viver em beiras de estradas, mas ainda tiveram diversos membros mortos em disputas de propriedade.
Por conseguinte, a questão indígena no Brasil não se trata de algo recente e, por isso, requer a atuação conjunta de diversos setores da sociedade para que possa ser solucionada. Antes de tudo, deverá ocorrer uma maior atuação do poder público de forma a garantir a segurança dos cidadãos sem que ocorra favorecimento social. Além disso, o mesmo não só deve incentivar a realização de reformas agrárias para que as famílias tenham módulos rurais produtivos, como também deverá garantir a posse dos mesmos através de demarcações territoriais. Prováveis barreiras impostas pelas bancadas ruralistas, no senado e congresso, devem ser combatidas pela população através de manifestações e do voto. Em meio urbano, as escolas e universidades públicas e privadas necessitam incentivar a permanência dos alunos indígenas através da promoção de respeito e conhecimento cultural, de forma a tornar o ambiente escolar mais agradável para todos.