O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 19/09/2017
Quando os portugueses chegaram ao litoral brasileiro no final do século XV, acreditavam finalmente ter chegado às Índias, nomeando o povo nativo de índios, ignorando propositalmente qualquer diferença cultural e linguística. O genocídio causado pela colonização, dizimou segundo o IBGE, 25% da população indígena, além de influenciar em seus costumes e cultura, pois segundo o pensamento eurocêntrico, o conhecimento europeu era considerado superior e devia ser imposto aos colonizados. O índio contemporâneo continua sofrendo ameças à sua cultura, como preconceito étnico, embates por terras, pouco acesso à educação e emprego. Esta situação é alarmante pois embora exista uma constituição que garante o direito dos povos indígenas desde 1988, a mesma não é colocada em prática em sua totalidade.
Hodiernamente nota-se que o índio é lembrado muitas vezes apenas no dia 19 de Abril, esquecendo totalmente da importância deste povo na construção de nossa história. Faz-se necessário o estudo da rica cultura desse povo, da importância de preservar seus costumes e hábitos e acima de tudo, respeitá-los, para que se possa viver em harmonia com todas as diferenças culturais e étnicas.
Além disso, a constituição garante aos índios o direito de demarcação de terras, e esta não é seguida amplamente. O avanço da tecnologia agrícola corrobora com cada vez mais disputas por terras, onde grandes produtores rurais se apropriam ilegalmente de terras indígenas, gerando combates e obrigando estes povos a migrarem para grandes centros urbanos. Nesse contexto, o índio enfrenta o preconceito e dificuldades de inserção na sociedade, pois muitas vezes é visto como preguiçoso, como é retratado em Macunaíma de Mário de Andrade.
Sob essa perspectiva, medidas cabíveis devem ser tomadas para que este problema seja tratado. O Governo Federal deve vincular à mídia desenhos animados e cartilhas educacionais voltadas ao conhecimento da cultura indígena, com a intenção disseminar a jovens e crianças a importância deste povo para nossa identidade. Outrossim, é necessário que o poder Executivo tenha um agilidade maior na demarcação das terras indígenas, e que a FUNAI garanta a preservação das mesmas, fiscalizando de forma eficaz. Decerto essa realidade pode ser mudada, pois parafraseando Confúcio, é preciso corrigir os erros do passado para que evitar novos.