O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 24/09/2017

O índio do Oiapoque ao Chuí

O livro Iracema, escrito por José de Alencar, é um dos principais representantes do movimento romântico brasileiro, com caráter indianista, ainda que com uma visão eurocêntrica do índio, onde traz uma relação nativo/colonizador. Hoje, no século XXI, os povos nativos enfrentam diversas dificuldades de autoafirmação no Brasil, dentre essas a luta pela demarcação de suas terras e as tribulações para mantê-las em sua posse evidenciando assim o desrespeito com os primeiros habitantes dessa terra.

De início, o termo “índio” foi usado pelos portugueses que acreditavam estavam em terras da Índia. Já o termo “indígena” significa “o que ou quem é originário da região”. E seguindo avante na história nacional, veio o desumano extermínio dos nativos por parte dos bandeirantes para a  tomada  de suas terras, o que não se diferencia dos dias atuais onde vários povos lutam para a sua sobrevivência em terras nativas, onde mais de 25% delas tem interesses econômicos relacionados a mineração.

Não apenas a mineração mas também o avanço do agronegócio tem sido um tremendo inimigo na luta pela permanência de diversas tribos indígenas em seu lar de origem. A exemplo disso, o Parque do Xingu, a primeira terra indígena homologada pelo governo federal, se vê encurralada pelo bloqueio formado por fazendas de soja. Altos são os índices de violência e assassinato em que ocorrem nessas áreas de disputa, isso decorrente da ganância dos fazendeiros e da bancada ruralista.

Embora haja esse tremendo desdém, de acordo com uma pesquisa feita por antropólogos da Universidade de São Paulo e o IBGE, a população brasileira vê o indígena com bons olhos, aquela velha ideia do “nativo amigo”, mesmo alguns tendo alguns conceitos antiquados com relação a forma em que eles vivem. Hoje, são mais de 900 mil indígenas autodeclarados e se tem homologado mais de 300 etnias e mais de 250 línguas diferentes. Esses dados mostram a imensa diversidades desses povos e a sua incrível capacidade de se expandir, mesmo com todas as injustiças a eles praticados.

Em suma, o povo indígena contém a maior diversidade do país e lutam para se manter em sua terra natal desde os primórdios da colonização. Fica ao governo brasileiro promover a demarcação das terras e políticas de proteção às mesmas, investindo em órgãos públicos como a Funai(Fundação Nacional do Índio) e, também, promover a implantação de estudos indigenistas na grade escolar tanto no Ensino Fundamental como no Médio. À sociedade está a incumbência não só de respeitar os povos mas também buscar conhecer suas culturas, ritos e tradições, agregando aos seus costumes cotidianos, pois como disse o antropólogo João Pacheco “conviver com os índios seria uma experiência incrível para as crianças(e também adultos). Eles tem muito a contar e ensinar”.