O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 17/09/2017
Já afirmava Claude Lévi-Strauss: “O mundo começou sem o homem e poderá acabar sem ele”, nessa perspectiva a sociedade presencia um paradoxo, a empáfia, em contrapartida a empatia. Seja a América espanhola, portuguesa ou inglesa, o contraste colonizador em ambas foi o massacre dos nativos, o que acarreta consequências até o tempo presente. Dessa maneira, surgi a problemática da questão indígena, qual persiste, ligada intrinsecamente ao pensamento humano, ora pela ineficácia governamental, ora pelo pensando arcaico de fração social.
É indubitável que o desamparo Estatal seja fator súpero sustentáculo da problemática. Para o eminente filósofo Hobbes, o homem em seu estado de natureza torna-se seu próprio lobo, carecendo de um poder centralizado para ministrar harmonia. De forma análoga, tal pensamento é rompido, haja vista que a Legislação não ampara o povo indígena em sua totalidade, seus reservas estão sempre diminuindo, abrindo caminho para a ação latifundiária, sua cultura cada vez mesmo se faz menos presente, diluída nos costumes caucasianos. Não obstante, o índio inserido no meio moderno sofre preconceitos étnicos raciais, violências verbais ou físicas- o Estado não detém o lobo branco.
Outrossim, a lenta mudança na mentalidade social recrudesce o paradoxo. José Saramago, em seu livro “Ensaio sobre a Cegueira”, descreve uma sociedade que paulatinamente torna-se cega. Metáforas a parte, é exatamente o que se sucede quando a comunidade fica cega em seu egocentrismo racial-cultural. Nessa lógica excludente, propicia-se o ódio mútuo, corroborando para ataques de todos os envolvidos, como na disputa por espaço ideológico, econômico, político, tendo por finalidade, genocídios indígenas.
Infere-se portanto, a necessidade de mudanças governamentais e sociais. O poder Legislativo, a fim de atenuar a problemática deve impor mais rigor as leis, concomitante o Poder Judiciário deve intervir de forma que essas sejam compridas, por meio de maior fiscalização e rapidez julgamentos. Em conjunção, o Poder Executivo, através de palestras, rodas de conversa e reforço nas aulas de sociologia deve conscientizar os jovens sobre a tolerância e o igualitarismo de raças. Saramago cita: “Se podes olhar vê, se podes ver, repara”, nesse âmbito só quando a sociedade reparar seu olhar egocêntrico, cedendo oportunidade ao povo indígena, respeitando sua etnia, o lobo será neutralizado.