O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 14/09/2017
A imagem do índio brasileiro é, desde a chegada dos portugueses ao Brasil, deturpada e baseada em valores etnocêntricos, o que não deixou de ser presente nos séculos seguintes. No período após a Independência do Brasil, autores do Romantismo, com o objeto de enaltecer a nacionalidade brasileira, exaltaram a imagem do índio, intitulando-o de herói e “bom selvagem”. Entretanto, esse período serviu para influenciar a visão que a sociedade possuía dos indígenas, o que acarretou em estereótipos baseados na burguesia e na sociedade europeia. Somado a essa visão distorcida, o avanço do agronegócio e a falta de demarcação territorial potencializam a questão indígena no Brasil contemporâneo.
Vale ressaltar que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2010, 98% das terras indígenas estão localizadas na Amazônia Legal. Desse modo, o avanço do agronegócio nessa região tem causado a expulsão de milhares de índios de suas terras. Outrossim, a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte é mais um fator preocupante, já que o alagamento de áreas próximas compromete mais territórios indígenas, além da atração de maior contingente populacional para a região, tendo em vista a geração de novos empregos.
Ademais, apesar do uso e a exploração de recursos de áreas indígenas só poderem ser realizados com a devida autorização do estado brasileiro, há problemáticas em torno da regularização dessas terras. De acordo com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), 35% do território indígena não está homologado. Portanto, além da extração ilegal, há a falta de demarcação territorial reconhecida pelo governo, ou quando definida, ainda não está homologada e regularizada perante a lei, o que facilita a apropriação dessas terras por terceiros.
Fica claro, portanto, que a situação indígena é uma das maiores questões sociais brasileira e que necessita de soluções. Uma maneira eficaz é maior fiscalização do Governo Federal acerca de projetos do avanço do agronegócio em direção a territórios indígenas, além da homologação de terras que ainda não estão regularizadas. Analogamente, a manutenção da FUNAI é determinante, tendo em vista ser o órgão responsável pela proteção aos indígenas.