O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 24/09/2017

É significativa a ideia de que, como afirma Karl Marx, valorizar o homem como ser social, significa buscar alcançar as transformações necessárias para uma sociedade mais justa. Nesse contexto, ao se discutir sobre a questão do índio na atualidade, cabe analisar que fatores contribuem para a persistência da negligência e da negação dos direitos desses povos.

Em uma primeira abordagem, cabe ressaltar que, segundo a FUNAI, apenas recentemente a sociedade começa a se conscientizar que os índios são parte integrante da vida nacional. O mais preocupante, contudo, é constatar que o índio brasileiro ainda é relacionamento com o estereótipo de “bom selvagem” com suas “vergonhas” de fora descritas por Pero Vaz de Caminha e idealizada pelo romantismo. Assim, fica claro que muitos sofrem críticas e até agressões simplesmente por terem incorporado hábitos e tecnologias não indígenas ao seu dia a dia, como se, para terem suas identidades respeitadas, precisassem ficar parados no tempo.

Outro ponto que precisa de olhar atento, é o fato de que mesmo com a garantia legal de direitos e com o protagonismo da luta indígena contra essas tendências, os desafios a serem enfrentados ainda são enormes. Vale ressaltar que inúmeros povos são expulsos de suas propriedades ou mortos em decorrência da desenfreada expansão agrícola e até da construção irregular de usinas hidrelétrica, como a de Belo Monte, evidenciando a omissão do poder público em relação a problemática. Aliás, a demora na regulamentação das terras indígenas tem suas causas nos interesses da bancada ruralista no congresso. Convém, é claro, perceber que a criação da PEC 215, que permite a retirada da homologação das terras indígenas, vai de desencontro com a luta pelo direito e preservação desses povos.

É determinante, então, para desconstrução desse cenário, que o Estado promova ações, como desconcentrar e limitar as fronteiras agrícolas por meio de incentivos fiscais, além disso, deve-se aumentar a fiscalização de áreas de preservação para garantir o direito desses povos. Ainda, o Ministério da Educação deve propor manifestações étnicas nas escolas e comunidades e adotar no currículo comum a história e os costumes da cultura indígena, a fim de preserva sua identidade e promover o respeito. Com esse direcionamento de ações, espera-se enfrentar a violência e discriminação sofrida pelo índio.