O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 13/09/2017
Como retratado na carta de Pero Vaz de Caminha, ao descrever a chegada dos portugueses ao Brasil, houve um encontro de realidades completamente distintas, o ideário social europeu com a forma natural e simples do nativo. No entanto, diante das comparações entre as duas formas sociais, prevaleceu uma postura de superioridade dos colonizadores. Por conseguinte, nos dias atuais a soberania do homem branco ainda está enraizada na sociedade brasileira. Nesse sentido, combater essa visão etnocêntrica é essencial para que a cultura indígena seja valorizada como um importante elemento na formação do país.
Em primeira análise, os índios continuam sofrendo intensa discriminação até a atualidade. Isso porque, a visão estereotipada criada pelo colonizador de que se tratavam de povos selvagens e destituídos de autonomia, fez que com que muitas crenças e costumes fossem desconstruídos ou modificados. Prova disso, é o fato do índio ser visto como um empecilho para o desenvolvimento do país, sendo muitas vezes retirados à força de suas terras, para darem espaço à exploração mineral, construção de hidrelétricas ou atividades agropecuárias. Nesse sentido, os índios ainda são marginalizados, tendo a própria cultura subjugada aos interesse econômicos.
Ademais, percebe-se que há uma carência de estudos mais aprofundados sobre a cultura indígena nas escolas brasileiras. Embora existam inúmeros livros de história que abordam a temática, a formação de uma imagem negativa construída em relação a estes povos, deve-se em grande parte a um discurso reprodutor de estereótipo. Na concepção do filósofo Foucault a produção, a acumulação, a circulação de um discurso sólido e convincente são necessários para que o poder não desmorone. Nesse sentido, inúmeras referências didáticas reforçam somente os colonizadores, imigrantes ou bandeirantes como fonte simbólica da nacionalidade brasileira, e reduz a participação indígena. Nesse sentido um ensino unilateral da história, pode conduzir à construção de verdades.
Portanto, é necessário promover um rompimento com o etnocentrismo e com muitos conceitos cristalizados sobre a cultura indígena. Nesse viés, o Ministério da Educação deve reformular o currículo escolar, inserindo palestras, debates, de forma a privilegiar não somente os costumes e crenças desses povos, mas a questão atual do índio na sociedade, inclusive com discussões sobre as leis que asseguram os direitos dos índios. Além disso, em parceria com o Ministério da Cultura promover eventos sobre a contribuição desses povos para o país, a fim de desconstruir a visão egocêntrica que muitos possuem em relação às outras culturas, permitindo uma renovação de conceitos já existentes. Dessa forma, os indígenas poderão ser compreendidos na sua singularidade e pluralidade.