O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 11/09/2017

Pertencente à vertente indianista do movimento romântico brasileiro, o romance “Ubirajara”, de José de Alencar, apresenta o índio como base da formação do povo brasileiro. Fora da literatura, no entanto, tal valorização e reconhecimento não são uma realidade, sendo esta etnia vítima de constantes violações de seus direitos. Dessa  forma, os povos indígenas brasileiros enfrentam constantes violências, sejam elas no campo cultural, sejam no campo político.

Um dos entraves da atual questão indígena no Brasil é o não reconhecimento destes povos na formação nacional. O Brasil é fruto de um imenso sincretismo de diferentes culturas, porém, resquício do eurocentrismo da Idade Moderna, enquanto as colonizações europeias ganham destaque no currículo escolar, os 5 milhões de aborígenes presentes em terras brasileiras a época do descobrimento, segundo o portal online UOL, são relatados de forma secundária nessa fusão de povos. Desse modo, as 305 etnias indígenas hoje existentes, consoante com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não têm seu pioneirismo na formação do Brasil devidamente reconhecido, representando uma violação ao legado nacional.

Outro impasse enfrentado pelos povos indígenas é a sua baixa representatividade em setores governamentais, o que resulta na omissão do Poder Público em relação aos direitos destes. A principal luta dos índios é pela demarcação de suas terras, o que lhes é garantido pela Constituição Federal. Tal fato, porém não ocorre, efetivamente, visto que há interesse dos setores agrícolas e mineradores nesses territórios, uma vez que, segundo o IBGE, localizam-se, em sua grande maioria, na Amazônia legal, considerado um local estratégico para exploração de recursos. Assim, a falta de quem lute pelos direitos indígenas em setores de alto escalão só agrava a atual situação.

Destarte, depreende-se que as raízes históricas potencializam os atos de violência dos direitos dos povos indígenas. Torna-se imperativo, então, que a mídia, como exímia formadora de opinião, a criação e divulgação de projetos como Abril Verde, semelhante ao já conhecido Outubro Rosa (e não somente campanhas do dia do índio -19 de abril-, conforme já acontece), como uma forma de valorização e reconhecimento de tal etnia na formação nacional. Outrossim, cabe ao Congresso destinar algumas cadeiras da Câmara para indígenas, semelhante ao que já foi implementado pela Colômbia, a fim de garantir os interesse destes povos nos mais diversos setores. Sob tal perspectiva, o  sentimento nacionalista presente em “Ubirajara” tornar-se-á uma realidade brasileira.