O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 06/09/2017

Marcada pelo choque cultural de índios e europeus, é através do Quinhentismo que pudemos, historicamente, conhecer relatos do povo que dito de soberania, descrevem os nativos como seres de “livro em branco”, implorando para serem civilizados. Nesse processo de colonização, abre-se a porta para o estigma social enfrentado pelos mesmos até hoje, caracterizando-se em lutas por voz e identidade. Precisamos nos despir do preconceito e ignorância para repensar sobre tal situação.      Primeiramente, precisamos encarar o fato de que nós, brasileiros do pós colonização, ainda os consideramos como seres inferiores, ainda nus e desprovidos de inteligência e qualquer direito - ou dever - como um cidadão brasileiro. Exemplo disso são nossas primitivas formas de vê-los e tratá-los em redes sociais com espanto e preconceito, além do fato de lidar com a sua língua como apenas um dialeto, quando na verdade, a sua língua é a nativa, “oficial” do território onde habitamos, como defendia Policarpo Quaresma, na obra pré-modernista de Lima Barreto.

Além de tudo, seu estigma social de luta por territórios legítimos percorre os 6 séculos de colonização. Sendo a Terra Indígena um pedaço de chão com usufruto exclusivo concedido pelo Estado, como previsto na Constituição de 1988, um direito que não sai do papel, visto que a sede de lucratividade dos donos de terra gera conflitos que, no contexto de marginalização, acarretam mortes a cada ano, onde de 100 mortes, 50 são de indígenas que entregam suas vidas em busca de respeito por sua cultura e lugar ao sol.

É, portanto, uma situação que não podemos sustentar. Encará-los como intrusos, negando-os terras, voz e identidade, nos reafirma como seres etnocêntricos desde sempre. Para tanto, é necessário que o governo impeça a agricultura e a pecuária de avançar para suas terras, por meio de políticas públicas de preservação de reservas indígenas, garantindo a vida e o sustento diário. E, também, garantir verbas que sustentem o trabalho da FUNAI em proteção e apoio social que lhe cabe. Assim, sanaremos o “carma” coletivo que nos compete em relação àqueles que melhor do que ninguém, cuida da sua própria casa.