O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 04/09/2017
O romance Ubirajara, de José de Alencar, pertencente ao Romantismo indianista, apresenta uma visão do índio como herói nacional e base da formação do povo brasileiro. O autor relata como o processo de colonização forçada pelos europeus contribuiu para que a identidade nacional fosse destruída e, consequentemente, que o índio perdesse sua visibilidade social. Entretanto, fora da Literatura, essa também é a realidade brasileira. Nesse contexto, dois fatores devem ser discutidos: o descumprimento de direitos constitucionais e a desvalorização do indígena na sociedade do século XXI.
A princípio, vale pontuar que embora a Constituição de 1988 assegure a posse de terras a grupos nativos, esse direito é negligenciado. Uma prova disso está nas cerca de 650 áreas que aguardam demarcação, conforme apresentado por telejornais da Globo. Desse modo, o lento sistema de apropriação de terra abre espaço para o conflito fundiário entre ruralistas e os autóctones, no qual estes últimos são dizimados. Nota-se, portanto, que os índios retratados como heróis no romance supracitado, sofrem na sociedade atual com a falta de terra e voz, tornando-se invisíveis socialmente.
Ademais, convém frisar que esse cenário de hostilidade social contribui para que o indígena perca sua identidade cultural. Dessa maneira, os primeiros representantes da população brasileira são apenas citados nas aulas de História, a partir de uma perspectiva eurocêntrica da Colonização do século XVI, que os retrata como selvagens, sem civilização e inferiores aos europeus. Percebe-se, por conseguinte, que essa visão pejorativa deve ser revertida, já que sua maior consequência é a desvalorização dos índios, estes que têm tanto imensuráveis valores sociais e morais quanto conhecimentos relevantes que são úteis para a sociedade em geral.
Logo, é inquestionável que o índio merece ser valorizado por sua contribuição na formação da história nacional. Para Sartre, a violência, independente que como ela se manifesta, é uma derrota. Assim, para reverter esse clima de derrota contra os nativos, é preciso que o Governo Federal em associação à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) atuem para acelerar o processo de demarcação de terras indígenas, impedindo com que conflitos fundiários diminuam ainda mais o pequeno número de índios restantes no país. Além disso, é fundamental que o Ministério da Educação inclua na grade curricular de ensino a abordagem do índio sobre a visão brasileira, ressaltando toda a contribuição desses povos para a nacionalidade do país. Ainda, deve incentivar as escolas a promoveram apresentações e debates coletivos acerca das diversas tribos existentes, resgatando a identidade cultural dos mesmos. Com tais soluções para o impasse descrito, o índio voltará a ser o herói retratado por José de Alencar, além de símbolo da cultura brasileira.