O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 29/08/2017

Deslumbramento e diversidade cultural sintetizam a Carta de Pero Vaz de Caminha ao relatar a descoberta do território brasileiro. Mais ilustres ainda fizeram-se os romances indianistas no retrato heroico e cultural dessas tribos. No entanto, o respeito ao índio brasileiro cedeu lugar à ganância capitalista e às aspirações racistas hodiernas, as quais comprometem a diversidade étnica ao transformar os povos nativos em singelas figuras folclóricas, livres de sentimentos históricos e humanitários.

Atrelado ao capitalismo, Rousseau descreve o mito do “Bom selvagem”, pelo qual a pureza e inocência do ser humano em seu estado natural foram corrompidas pela sociedade por meio de hábitos e valores que o induziu a conflitos pelo poder. Exemplo disso foi a crueldade do ataque aos índios gamela no Estado do Maranhão neste ano, refletindo a inoperância do governo na batalha indígena pela demarcação de terras, implicando em insegurança na garantia da sustentabilidade autóctone.

Não bastasse isso, a comunidade primitiva ainda sofre preconceitos. A restrição do direito indígena conquistado na Constituição, lançado à luz de olhares racistas de exclusão, gera lutas sangrentas pela sobrevivência. A fim de amenizar esse revés, neste ano, lançou-se a campanha “Menos preconceito, mais índio” promovida por uma ONG para sensibilizar a sociedade acerca da valorização dos povos cativos, fator relevante para o resgate das riquezas socioculturais da nação.

Diante do exposto, é imperativo que o valor heroico dos ricos romances indianistas seja resgatado, sem o véu da utopia. Faz-se relevante que a Funai fiscalize a demarcação de terras nativas, garantindo sua proteção e segurança. Ao Ministério da Educação caberá implementar projetos escolares em prol do resgate sociocultural indígena, contribuindo à formação de cidadãos conscientes. Requer-se maior conscientização social e humanitária entre a população brasileira, além da promoção de campanhas midiáticas que incitem princípios morais, éticos e culturais para a caracterização de um país miscigenado e integrado.