O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 23/08/2017
No século XVI, com a chegada dos jesuítas às terras brasileiras, os indígenas tiveram de adotar uma nova religião para que não fossem escravizados; no período da mineração, muitos deles morreram em decorrência do bandeirantismo; no século XIX, durante o Romantismo, eles foram representados como o cavalheiro medieval brasileiro. Hodiernamente, no Brasil, há uma preocupação sobre a questão dos silvícolas. No entanto, a “cordialidade” do corpo social brasileiro e sua “liquidez” contribuem para o desrespeito e a intolerância em relação a eles.
Mormente, o direito dos índios à terra afigura-se como um elemento constantemente ameaçado. Segundo Sérgio Buarque de Holanda, predomina no Brasil o homem cordial, aquele que sempre busca seus benefícios em detrimento de outros. Vislumbra-se isso quando a bancada ruralista propõe emendas na atual Constituição, como a PEC 215, a qual sugere que o poder de demarcações de terras indígenas passe para o legislativo. Propostas como essa beneficiam fazendeiros com a expansão do agronegócio; contudo, podem impedir a homologação dos territórios dos silvícolas. Além disso, o herói nacional pode perder seu espaço em prol do desenvolvimento, como as construções de hidrelétricas e por meio de conflitos com grileiros. Dessa forma, por causa da cordialidade brasileira, os direitos conquistados pelos índios não são respeitados, sendo necessárias as mudanças.
Outrossim, é válido ressaltar que os costumes do índio e seu processo de aculturação são vistos de maneira intolerante. De acordo com Zygmunt Bauman, vive-se a pós-modernidade líquida, pois as relações humanas estão progressivamente mais frágeis. Nota-se isso no relacionamento do corpo social brasileiro com os indígenas, estes são isolados da sociedade, pois seus valores e tradições são vistos como incivilizados e primitivos. Além do mais, o fato de assimilarem novos elementos a sua cultura é intolerado por alguns indivíduos, pois não compreendem que, assim como o deles, todos os povos passam por adaptações. Portanto, para que haja harmônia entre as diversas etnias, é preciso combater a intolerância.
Na esteira dessa discussão, depreende-se que medidas são necessárias para solucionar os atuais desafios sofridos pelos silvícolas. Logo, cabe ao Poder Público, além de demarcar as terras indígenas por meio da Funai- estudando os territórios deles- e homologá-las, dever do Executivo, fiscalizar de forma eficiente os territórios dos índios, a fim de que não sejam tomados ilegalmente. Ademais, é dever das famílias brasileiras, junto com as escolas, ensinar os indivíduos a respeitarem e tolerarem o índio, seja ele com suas raízes ou com suas adaptações. Assim, poder-se-á preservar o cavalheiro medieval do Brasil e assegurar seus direitos conquistados.