O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 22/08/2017

“Todo brasileiro traz no corpo e na alma a sombra do indígena ou do negro”, afirma o historiador Gilberto Freyre, com bases em pesquisas e na própria História do Brasil. Contudo, esse povo miscigenado violenta suas origens, levando os 818 mil índios, que restaram dos 3 milhões no ano de 1500, ao desafio de viver segregados em suas próprias terras, lutando por subsistência.

Corrobora tal visão, o fato de que as primeiras impressões portuguesas, relatadas na Carta de Peru Vaz, que caracterizavam o nativo como um ser selvagem e de insignificantes valores, prevalecem na contemporaneidade. Somente na Constituição de 1988 o índio teve o direito a suas terras e a proteção de sua cultura legitimados; em Lei anterior, o Estatuto de 1973, era previsto sua “socialização”. Assim, sobrava-lhe marginalização e opressão humana e social.

Ademais, embora haja lei de proteção, o extermínio que sofreram os índios desde a Colonização e a suas continuadas lutas para legitimar fonte de moradia e de sustento não cessaram. Nesse sentido, casos recentes e constantes de crueldade são relatados, como os ataques de fazendeiros a suas tribos, em covardes disputas por terras. Dados da ONU revelam que o número de assassinatos a indígenas aumentou 50% em menos de 10 anos.

Logo, é preciso que o povo brasileiro enxergue o índio como parte sua, sem preconceitos. Nesse sentido, cabe à escola exaltar os valores indígenas não só em 19 de abril, mas em todo o ano em suas disciplinas, mostrando os alunos o que deles foi herdado. Também, se faz necessário que o Estado, através do STF, dê celeridade aos processos envolvendo índios e os usurpadores de terras, estreitando a lacuna entre lei e justiça, executando os direitos previstos na Constituição.