O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 16/08/2017
No século XVI, o choque de civilizações entre o índios americanos e os europeus foi marcado pelo etnocentrismo, genocídio em massa e aversão à cultura daqueles. Ainda que séculos tenham se passado, o olhar etnocêntrico não foi erradicado; a população indígena permanece sendo subjugada e inescrupulosamente desrespeitada. Nesse sentido, faz-se presente a necessidade de discussão acerca dos conflitos por terras e dos aspectos sociais envolvidos no desrespeito ao indígena no Brasil.
É importante pontuar, inicialmente, que a expansão da fronteira agrária e o aprofundamento da concentração fundiária no país estão diretamente relacionados aos conflitos pela posse das terras. Na década de 40, a Revolução Verde e a consequente modernização da agricultura permitiram o plantio de soja em solos, antes, inapropriados. Assim, os domínios dos latifúndios foram expandidos e novas áreas foram ocupadas no Centro-Oeste e no Norte. Dessa forma, as reservas indígenas tornaram-se empecilhos diante do anseio dos fazendeiros por terras. Como consequência, anualmente, dezenas de indígenas são assassinados e possuem suas terras invadidas para atribui-las fins lucrativos. Cabe ressaltar que a ineficiente demarcação dessas pelo governo federal acirram os conflitos.
Por outra perspectiva, a população indígena é estereotipada e alvo de preconceitos, o que compromete o exercício da cidadania e a torna marginalizada perante a sociedade. O movimento Indianista, presente no contexto literário do Romantismo no Brasil, possuía caráter ufanista e nacionalista explorados pelo valorização e exaltação dos nativos, que eram retratados de maneira idealizada. Nota-se, entretanto, que hoje predomina o distanciamento e a subvalorização da cultura dos indígenas. Nesse ínterim, esses indivíduos são constantemente ridicularizados por seus costumes e os que desejam, possuem dificuldade de inserção e inclusão social uma vez que há preconceito e ineficácia do Estado em protegê-los.
As disputas por terras e a discriminação, portanto, corroboram o desrespeito ao índio na atualidade. Evidencia-se, desse modo, a necessidade de fiscalização e proteção das terras dominais e políticas de valorização da cultura indígena. O Ministério da Defesa em colaboração com o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM) deve utilizar as imagens para monitorar e garantir a unidade territorial das terras destinadas aos indígenas e em caso de invasões, deve enviar tropas do Exército e da polícia federal para controlar e restabelecer os domínios. Ademais, o poder Legislativo deve acelerar o processo de demarcação de terras com discussões de caráter urgente na Câmara para cessar os conflitos. Por fim, o Ministério da Educação deve ampliar a base curricular do ensino fundamental e médio destinado ao estudo dos índios a fim de educar acerca da pluralidade desses para romper as visões estereotipadas.