O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 31/08/2017

A problemática em que a  questão indígena se insere está no centro das ameaças à integridade humanitária. A herança eurocêntrica do século XVI está no ato de se subjugar a cultura dos índios, considerando-os selvagens e colocando-os em segundo plano quanto à sua participação na sociedade. Destarte, duas vertentes são notórias: o preconceito aos ameríndios e o princípio neoliberalista de utilidade econômica.

Com o contato europeu, o índio sofreu um processo de “aculturação”: foi catequizado, aprendeu a língua portuguesa e foi vestido a fim de “cobrir suas vergonhas” - termo utilizado por Pero Vaz de Caminha em uma de suas cartas; contudo, ao atingir o ideal europeu de civilização, ainda assim foi segregado e marginalizado, sendo tachado de preguiçoso por se negar ser escravizado -  preconceito ainda difundido na contemporaneidade brasileira. Nessa dinâmica, percebe-se o errôneo ideal do Darwinismo Social, o qual estabelece que determinadas culturas são menos evoluídas que outras. Assim, infelizmente, os ameríndios, uma vez despidos de voz e terra, continuam, dia após dia, sendo suprimidos.

Circunscrita a essa realidade, há intensas disputas pelas Terras Indígenas (TIs); a preservação e a demarcação dessas terras, garantidas pela Constituição Federal, não são completamente efetivas, esbarrando-se no poder político da bancada ruralista. Isso acontece devido ao princípio neoliberalista de utilidade econômica, que coloca o índio como pouco lucrativo -  e, como grande parte das áreas requisitadas por esse povo é, atualmente, destinada à agricultura e à pecuária, atividades extremamente rentáveis para o Brasil, as lutas são ignoradas e as ilegalidades permitidas. Assim, tais conflitos são, geralmente, vencidos pelos mais poderosos, que vitimaram centenas de indígenas nas últimas décadas.  Ademais, os que sobrevivem veem-se obrigados a deixar suas aldeias para viver nas cidades e, sem condições financeiras e preparo profissional, sofrem com a baixa qualidade de vida.

Portanto, é indispensável que a Receita Federal repasse recursos a estados e municípios que compreendam aldeias indígenas, visando melhorias no sistema de saúde, educação, transporte e comunicação. Faz-se necessário, também, que a própria população junto à FUNAI (Fundação Nacional do Índio) cobre resoluções do Executivo quanto à garantia das TIs, devolvendo aos índios o que os pertence e protegendo-os de agressões e invasões territoriais. Cabe ainda, ao Ministério da Educação integrar as escolas às ONGs na promoção de palestras que eduquem os estudantes sobre a importância do respeito à sabedoria indígena e ao seu caráter fundsamental na formação cultural brasileira.