O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 22/10/2017
Caminhos à igualdade cultural
José de Alencar e outros autores românticos ajudaram a valorizar a figura do índio perante a construção da identidade nacional. Entretanto, ao analisar a atual situação do indígena no cenário brasileiro, percebe-se uma desvalorização de sua cultura e desrespeito às suas crenças. Se por um lado, a ausência governamental sobre o assunto contribui para existência do quadro; por outro, o preconceito da sociedade, na qual se institucionalizou um caráter intolerante, dificulta qualquer perspectiva de mudanças.
Em uma análise administrativa, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as matrizes do problema. Isso porque, o governo, que é competente pela questão legislativa, se mantêm ausente na formulação de leis que protejam a integridade física e cultural dos povos indígenas, contudo, tal postura é vista como incoerente por parte do poder público, o qual deveria preservar pelo bem-estar de seus cidadãos. Em tal cenário é possível correlacionar às obras de Aristóteles, o qual defende o homem como animal político, sendo assim, sua responsabilidade gerir o Estado visando ao bem comum. Por conseguinte, a ideal aristotélico é descumprido na medida em que populações aborígenes são vítimas frequentes de preconceito e violências.
Sob um prisma social, a população brasileira desconhece da importância da figura indígena na construção da identidade cultural do país. Analogamente à teoria dos espelhos lacanianos, cujo conteúdo exemplifica as ações do indivíduo como reflexo de um comportamento coletivo, no caso, a intolerância e desvalorização do índio na sociedade. Consequentemente, os cidadãos reproduzem tal comportamento ofensivo, de maneira inconsciente, acreditando não haver danos para o país ao negar visibilidade e respeito ao índio, que foi fundamental no processo de formação do Brasil.
A questão aborígene, portanto, deve ser combatida ao passo que vítimas são geradas nesse processo. Nesse sentido, cabe ao Senado Federal, pelo seu poder legal e abarcativo, por meio de leis orgânicas, tornar legal direitos fundamentais à proteção indígena, no intuito de preservar sua integridade física e moral, assegurando e garantido a sua existência. Ademais, a mídia, como difusora de opiniões e conhecimento, pode valorizar a figura do índio como fundador da identidade cultural brasileira, através de campanhas nas redes sociais e tv, a fim de reverter o atual comportamento de desvalorização da classe. Assim sendo, alcançando o ideal aristotélico e quebrando os espelhos lacanianos, o Brasil poderá viver dias melhores.