O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 26/08/2017

Durante a primeira fase do Romantismo brasileiro, os autores buscavam criar uma identidade nacional, por meio da valorização da pátria e de um sentimento ufanista. Em muitos romances, foram abordadas temáticas indígenas, como nas obras “O Guarani” e “Iracema”, escritos por José de Alencar. Contudo, no decorrer dos séculos, percebe-se que esses povos foram mais valorizados na literatura que na realidade: essas etnias, importantes para o Brasil e o mundo, vêm sofrendo problemas relacionados à expansão da fronteira agropecuária e ao extrativismo. Solucionar esses entraves é o principal passo a ser dado, a fim de se preservar esses povos e suas culturas.

Antes de tudo, é preciso estabelecer uma relação entre os povos de pele vermelha e a sociedade brasileira. Vários hábitos da contemporaneidade, como o de banhar-se diariamente e o uso da mandioca na culinária, foram adquiridos por meio do contato com os índios. Ademais, a medicina indígena foi explorada pela indústria farmacêutica, como é o caso da quinina, utilizada no combate à malária. Além disso, o modo de vida desses autóctones é ecologicamente sustentável, em que os recursos naturais são explorados sem a destruição do meio, o que ameniza impactos ambientais. Logo, preservá-los significa manter viva a aprendizagem mútua entre “selvagens” e “civilizados” e a história de um país de proporções continentais.

No entanto, tais interações podem ser extintas, visto que terras e sociedades indígenas encontram-se seriamente ameaçadas. A expansão da fronteira agropecuária, sobretudo nas regiões Centro-oeste, Norte e entornos, para o cultivo de soja e a criação de gado não respeitam, em muitos casos, as fronteiras das reservas indígenas, demarcadas pela Funai, Fundação Nacional para o Índio. Nesse sentido, muitos conflitos se desencadeiam, como o que aconteceu no Maranhão recentemente, resultando num massacre de indígenas. Outrossim, o extrativismo também afeta as áreas legais: segundo dados da organização A Pública, 34% das terras dos índios têm interesses relacionados à mineração, principalmente no estado do Pará, o que pode destruir muitas aldeias e etnias brasileiras.

Fica claro, portanto, que os índios foram e podem ser importantes para o globo, mas estão vulneráveis ao setor primário da economia. Para a preservação desses, é viável que o MEC incentive escolas de todo o país a trabalharem a temática, por meio de oficinas e palestras que demonstrem tamanha importância dos autóctones à nação. Além disso, a Funai pode ser mais atuante nas reservas legais, fazendo visitas periódicas e monitoramentos via satélite desses locais, preservando culturas e biomas da Terra de Vera Cruz. Desse modo, o DNA indígena poderá ser conservado,garantindo melhores qualidades de vida a esses povos e permitindo que não habitem apenas os livros de Alencar.