O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 26/08/2020
A Constituição brasileira de 1988 assegura a todos os indivíduos o direito à igualdade. Entretanto na prática, tal garantia é deturpada, visto que o índio brasileiro ainda busca o seu espaço em meio a sociedade. Esse cenário nefasto ocorre não só pela criação de estereótipos relacionados aos indígenas, mas também pelo genocídio sofrido por esse grupo étnico. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação dos direitos constitucionais.
Em primeiro lugar, percebe-se que o legado histórico em relação à visão estereotipada do indígena é um dos motivos que fazem o problema perdurar. Nesse sentido, Cazuza, cantor brasileiro que marcou a nação com letras de alta representatividade social, preocupou-se com a reincidência de questões sociais em sua música “O tempo não para” com o trecho “eu vejo o futuro repetir o passado”. Dessa forma, a crítica do cantor se faz necessária na atualidade, principalmente em relação a essa questão, pois ainda hoje uma parte da população vê os índios como preguiçosos, como improdutivos e como um empecilho para o desenvolvimento da nação. É incabível, portanto, que um país signatário dos direitos humanos permita que sua sociedade continue a sofrer as consequências de tal legado.
Além disso, destaca-se que o extermínio sofrido por uma grande parte dos índios brasileiros contribuiu para que houvesse uma restrição da cultura indígena no país. Isso porque esse fato teve como consequência direta uma diminuição drástica da população nativa e, consequentemente, dos troncos linguísticos presentes nela e, por isso, atualmente não é possível ter contato com todo conhecimento disseminado por esse grupo étnico no passado, além de ocorrer uma desvalorização dessa cultura. Estima-se que a população indígena era de 3 milhões de habitantes em 1500, de acordo com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), mas no Censo de 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse número reduziu para aproximadamente 896,9 mil indígenas. Desse modo, é necessário que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro de depreciação dessa conhecença.
Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas para resolver o impasse. Para tanto, o Ministério da Saúde, por meio de um projeto social nas escolas e universidades, deve criar exposições históricas e culturais, que façam eventos explicativos a respeito da contribuição significativa dos povos indígenas à formação da nação brasileira. Tais eventos devem ser abertos a toda população, com oficinas, exposições, palestras e curta-metragem que apresentem para a sociedade a importância desse povo. Espera-se que, dessa forma, a população brasileira possa romper com essa visão preconceituosa e passe a valorizar a diversidade cultural e étnico-racial.