O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 26/08/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a situação atual do índio torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nesse cenário, seja pela visão estereotipada sobre o indígena, seja pela não consolidação de seus direitos, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Primeiramente, percebe-se que o legado histórico em relação à visão estereotipada do indígena é um dos motivos que fazem o problema perdurar. Nesse sentido, Cazuza, cantor brasileiro que marcou a nação com letras de alta representatividade social, preocupou-se com a reincidência de questões sociais em sua música “O tempo não para” com o trecho “eu vejo o futuro repetir o passado”. Dessa forma, a crítica do cantor se faz necessária na atualidade, principalmente em relação a essa questão, pois ainda hoje uma parte da população vê os índios como preguiçosos, como improdutivos e como empecilho para o desenvolvimento da nação. É incabível, portanto, que um país signatário dos direitos humanos permita que sua sociedade continue a sofrer as consequências de tal legado.

Em segundo plano, vale ressaltar que os indígenas possuem seus direitos previstos na Constituição de 1988, porém muitos deles não são respeitados, principalmente o direito a terra. Isso ocorre, pois os interesses econômicos são colocados acima das necessidades deles, consequentemente, contribuindo para uma má qualidade de vida dos índios e dificultando o exercício da sua cultura.

Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas para resolver o impasse. Para tanto, o Ministério da Educação, por meio de um projeto social nas escolas e universidades, deve criar exposições históricas e culturais, que façam eventos explicativos a respeito da contribuição significativa dos povos indígenas à formação da nação brasileira.Tais eventos devem ser abertos a toda população, com oficinas, exposições, palestras e curta-metragem que apresentem para a sociedade a importância desse povo. Espera-se que,dessa forma,a população brasileira possa romper com essa visão preconceituosa e passe a valorizar a diversidade cultural e étnico-racial.