O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 03/06/2020

Indígenas: busca pela preservação da vida.

Em meados do século passado, o romancista austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Rio de Janeiro, devido à perseguição nazista na Europa. Bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu o livro: “Brasil: país do futuro”. Entretanto, quando se observa a questão da relação entre a preservação dos territórios indígenas e a mercantilização da terra brasileira, percebe-se que a célebre profecia do escritor não saiu do papel. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

Vale destacar, a princípio, a assimilação cultural como fator contribuinte da problemática. De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, os povos indígenas, atualmente, somam cerca de 900 mil indivíduos. Essa população é distribuída em 305 etnias com 274 línguas distintas. Além disso, ocupa 13,8% do território brasileiro, sendo protegida por Lei. Dessa forma, o ideal de assimilação cultural surge apenas como um pretexto para a integração brasileira e, consequente, mercantilização do território indígena. Isso porque algumas das áreas protegidas possuem grande valor agregado em recursos minerais e vegetais. Sendo assim, conforme a visão capitalista, apresentam considerável importância no quesito exploração.

Outrossim, a preservação das terras indígenas está diretamente ligada à inibição do desmatamento. Sabe-se que grande percentual da Amazônia brasileira, hoje, é ocupada por povos nativos e isso contribui favoravelmente na diminuição do desflorestamento. Nessa perspectiva, esse efeito tem grande importância na preservação tanto da flora, quanto da fauna originária da localidade, podendo ser citado mamíferos como macacos e lontras. Além disso, a conservação das áreas nativas contribui para a manutenção do sistema hidrológico da região. Vê-se, assim, a necessidade da manutenção e da permanência desses povos no território amazônico.

A turbulenta relação entre preservação de reservas nativas e a mercantilização da terra brasileira é um obstáculo para a concretização da profecia do escritor Zweig. Logo, medidas devem ser tomadas para sanar esse empecilho. Portanto, o Governo Federal, em parceria com a FUNAI, deve buscar, por meio de pesquisas nas reservas, maneiras cada vez mais abrangentes de buscar sanar os anseios dos povos indígenas. Além disso, ao meio midiático cabe a função de transmitir aos cidadãos o entendimento de quão importante é a permanência dessas localidades. À vista disso, a contrariedade instalada será liquidada.