O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 20/05/2020

No livro “ O Guarani”, escrito por José de Alencar, Peri é um índio brasileiro que se é descrito como herói, líder da tribo dos Goitacá, forte e valente. Por meio deste personagem o autor tenta aproximar a imagem do índio à construção de um sentimento nacionalista, o que era bem comum nas poesias romancistas do século XX. Porém, fora da ficção, as nações indígenas sofrem com a exploração das terras demarcadas e com a privação de direitos fundamentais. Sendo esse um problema que está diretamente relacionado à realidade do Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela indiferença social.

A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que garantem os direitos reservados ao povo indígena, o que abre brecha para que madeireiras e mineradoras extraiam de forma ilegal do território indígena, devastando por completo essas regiões. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de proporcionar o direito à vida para população. De certo, isso pode ser exemplificado pela reportagem publicada pelo jornal Exame, em 2020, que diz que 50% das terras indígenas já possuem intervenções do garimpo.

Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da sociedade, que não entende os malefícios associados à exploração das terras indígenas e não cobra do Estado leis mais duras contra esse mal. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato é verificado no discurso do presidente feito em 2020, que é consoante à opinião de uma parcela da população, que considera o desmatamento “Cultural” e “Normal”. Essa postura minimiza o problema e dá aval para a perpetuação de injustiças contra o meio ambiente e o índio, gerando um prejuízo social incalculável.

Diante desse cenário, é mister que o Ministério do Meio Ambiente, promova a redução da exploração de terra indígenas, por intermédio de leis mais duras contra mineradoras e madeireiras, a fim de coibir a exploração ilegal, sendo isso necessário para promover os direitos indígenas no Brasil. Além disso, as instituições educacionais devem promover o debate sobre os malefícios da exploração ilegal através de campanhas de conscientização veiculadas nos principais meios de comunicação, como TV e internet, para que, gradativamente, a imagem do índio como símbolo nacional, almejado pelos romancistas do século XX, seja alcançada efetivamente.