O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 22/03/2019

Na obra “Macunaíma”, o modernista Mário de Andrade expõe, por meio da repulsa sofrida pelo personagem (que era índio, nascido da mata  virgem ) o  quão amplo e complexo é o sofrimento do índio brasileiro, que sofre diariamente opressão física e verbal, tendo  seus direitos negados a todo momento. Na contemporaneidade, mesmo com o avanço dos direitos humanos, essa infeliz realidade ainda se faz presente graças ao catastrófico tratamento oferecido pela sociedade, além da omissão do poder público quanto à defesa dos direitos dos povos indígenas.

De início, convém lembrar que a opressão do homem branco sobre os povos indígenas no Brasil não é uma invenção do século XXI, desde o período colonial, os nativos sofrem com agressões físicas e verbais. A gênese desse problema está, incontestavelmente, na usurpação de território indígena para a manutenção do monopólio capitalista. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), existem no Brasil cerca de 654 territórios indígenas aguardando demarcação governamental. Essa situação gera violentos conflitos internos e externos, visto que, através da violência, os índios são obrigados a ceder suas terras ao agronegócio, perdendo assim sua identidade cultural e única forma de sobrevivência plausível. O Cimi também afirma que no ano de 2016, cerca de 753 crianças indígenas menores de 5 anos, morreram de causas como desnutrição, graças à falta de recursos oferecidos pelo Governo.

A constituição cidadã de 1988 assegura a garantia dos direitos dos povos indígenas, em contraste, o governo haje com imensurável descaso, mantendo os índios à margem da sociedade, assim, dificulta-se a sua inserção na esfera econômica do país. É de suma importância lembrar que a educação pública oferecida aos povos indígenas é extremamente precária, o que acarreta na manutenção da desigualdade social. Os índios brasileiros, além de perderem suas terras, não tem pleno acesso à esfera educacional. Sob esse viés, vê-se que incluir esses povos de forma plural e efetiva dentro da sociedade, ainda é um desafio no Brasil. Segundo o educador Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, assim, pode-se concluir que o único caminho para uma sociedade plural, virtuosa e inclusiva, é a educação de qualidade.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. A Fundação Nacional dos Índios (FUNAI) deve exigir do poder publico a remarcação de terras de forma rápida e eficaz. Para isso, Deve-se extinguir o agronegócio em território indígena através de mandatos federais que visem devolver, de forma pacífica, essas terras. É imprescindível também, que nas terras demarcadas, haja a reestruturação da educação pública, de modo que o Ministério da Educação invista em aulas de qualidade e infraestrutura, em prol da manutenção da dignidade dos povos nativos brasileiros.