O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 23/03/2019

A partir de 1534, nas Capitanias Hereditárias, os povos indígenas passaram a ser escravizados e desapropriados de suas terras. Esse cenário, iniciou a problemática dos índios no século XVI que se estende até os dias atuais. Vale ressaltar, portanto, que no Brasil, os indígenas são tutelados pelo Estado e este na maioria das vezes prioriza outros interesses em detrimento dos povos nativos do país. Assim, faz-se necessário a construção de ações para desconstruir a mente de uma sociedade que ainda pensa como colonizadores.

Nesse contexto, por certo, em 1988, a Constituição Cidadã reconheceu os direitos culturais dos índios, sustentando o direito à diferença e à manutenção dela, de acordo a Carta Capital. Todavia, a população não entende que as diferenças entre os povos são marcas da pluralidade e tratam essas comunidades com desprezo e violência, dessa forma, os índices de assassinato de índios mantêm-se consideravelmente altos, como em 2015, que obteve como resultado a morte de 54 nativos, além de que a falta de demarcação gera constantes conflitos violentos, aonde 654 áreas indígenas ainda aguardam este ato, conforme o Jornal da Globo. Ademais, a FUNAI, órgão indigenista oficial do Estado brasileiro, não tem força, e como consequência, estes povos encontram-se em situações precárias e, além disso, lamentavelmente, o poder público se faz omisso no que diz respeito à esse caso. Somado a isso, é pertinente exemplificar o caso da reserva Raposa Serra do Sol, a qual diversas comunidades indígenas foram expulsas do território com apoio do exército brasileiro. Logo, segundo Nelson Mandela, “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, de fato, é através desse âmbito que poderá ocorrer  a construção de novas mentes.

Sob outra perspectiva,a obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto,o personagem é considerado louco por querer o tupi,como a língua oficial do Brasil.Nesse sentido,é notório o forte preconceito voltado à pessoas que só diferem das ditas “civilizadas” por querer continuar com sua própria cultura e crença,o que demonstra a tamanha falta de empatia e respeito ao próximo,ainda muito vigente na contemporaneidade.Analogamente,quando um índio aparece com carro e vestido com roupas,por exemplo,ele se torna alvo de olhares oblíquos e de julgamentos sem precedentes,afinal,é preciso conhecer para valorizar.Portanto,diante do preconceito ainda embutido em uma sociedade que se diz globalizada,é imprescindível uma reconstrução.

Sendo assim,as escolas,responsáveis pela formação intelectual dos indivíduos,por meio das aulas,inserir mais histórias que fale sobre a luta e toda realidade do índio,ao invés de romantizar e focar apenas no dia 19 de abril,afinal todo dia é dia de índio. Dessa maneira, desenvolverá mentes evoluídas.