O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 22/03/2019

Em 1500, os portugueses pisavam pela primeira vez em solos brasileiros, assim como, avistaram pela primeira vez os índios. “Os europeus não conheceram a América, mas a reconheceram” foi o que aconteceu quando os portugueses chegaram ao Brasil; eles temiam o desconhecido, portanto, associavam os novos elementos a conhecimentos prévios, não aceitavam algo que eles não conheciam, não sabiam. Não reconheciam a alteridade do indígena, impuseram a sua cultura, suas crenças e sua língua sobre as deles. Na atualidade, há ainda consequências desse eurocentrismo tendo uma imagem ultrapassada e estereotipada do índio, sendo eles, os que mais sofrem com essa visão.

A maioria, quiçá, toda a visão de mundo dos brasileiros é derivada dos europeus. A própria palavra “índio” é uma nomenclatura eurocêntrica, pois estavam buscando uma nova rota para as Índias, logo, atribuíram este nome aos nativos dessa terra desconhecida a eles, mas que não fazia jus a vastidão e variedade de tribos e etnias aqui existentes. Existiam no Brasil cerca de mais de um milhão de pessoas dos Tupis Guaranis, grupos da mesma base linguística, e quando os portugueses chegaram, apenas cerca de 190 mil pessoas restaram. A escravidão, os maus-tratos e o desrespeito a alteridade indígena foi em massa. Os índios foram dizimados e, os poucos restantes, expulsos para as terras no interior do país, consideradas ruins ou que não eram interessantes aos portugueses. Nos dias atuais, essa visão mudou um pouco e as terras indígenas são vítimas de cobiça. Elas são alvo para a exploração agrícola, latifundiária, científica e entre diversos outros meios de lucro em cima desses territórios. Existem órgãos que trabalham para preservar ao máximo essas terras, como a FUNAI, fundação nacional do índio, que cuida dos interesses do povo indígena e da interação dos índios com o resto da sociedade, mas é constante a perseguição dessas terras para construção de hidrelétricas, madeireiras ou campos de gado, por exemplo.

Sendo assim, uma medida social que deveria ter sido aplicada desde 1500 e que deve ser constantemente afirmada nos dias atuais, é a do relativismo cultural. Nenhuma cultura é superior a outra. Os direitos dos indígenas precisam ser preservados. Tanto quanto a integração do índio a sociedade e a sua a liberdade de escolha devem ser respeitadas, por exemplo, se o índio quer viver na cidade ou viver o estilo de vida tradicional dele. São ações que estão sendo postas em prática, mas lentamente. É necessário que o MEC imponha uma educação da história brasileira a partir da história indígena e também, sendo crucial, trabalhar nas escolas, e na sociedade, a desvinculação da imagem de um esteriótipo de índio, porque assim como a nossa cultura, a deles está em contínua mudança.