O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 18/03/2019
O poema Caramuru,do frei Santa Rita Durão,aborda o índio do ponto de vista da catequese,a qual servirá como elemento de dominação e transformação.Nele,há a criação de um esteriótipo de ócio e estagnação.Nesse sentido,a imagem do poeta se sustenta na atualidade,em face de demandas seculares que impedem a inclusão do índio de forma efetiva.
Em primeiro lugar,pode-se verificar que a inversão de direitos é fator que acentua esse problema.Um processo iniciado há quatro séculos e pautado na expropriação e tortura desenvolve-se mediante o descaso com a população indígena.Isso porque esse povo teve o direito de habitar áreas demarcadas e protegidas por lei,quando na verdade esse território lhe pertencia historicamente.Assim,assegurar falsas conquistas como forma de inclusão culmina na incorporação de terras indígenas para a agricultura,o que agrava ainda mais esse cenário.
Ademais,o ideário autêntico reforçado pela mídia dificulta essa inserção.O jornal O Globo,por exemplo,estranha que índios usem iPhone,ao relatar que essa ação é inusitada.Tal fato congela a cultura indígena e corrobora com a visão de que eles não podem usufruir da modernidade e,se mudam,deixam de ser “autênticos”.Sob esse viés surgem reações como a esboçada pela pecuarista Kátia Abreu,ao alegar que “não são mais índios”.Assim,negar a identidade indígena facilita a apropriação dos seus bens e a desconstrução dos seus direitos.
Infere-se,portanto,que o índio ainda não foi integrado de forma plena à sociedade.Dessa maneira,é salutar a atuação,em primeiro lugar,do Estado,ao fazer com que os projetos passem a ser leis;investir na estrutura e desempenho da FUNAI e tratar com seriedade as demandas indígenas.Cabe ainda à escola e à mídia desconstruir a visão colonial,ao dedicar-se à aproximação e convívio não apenas no Dia do Índio,o que permitirá a sua participação com o respeito e estima que merecem na consolidação de um país equalizado.