O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 02/11/2018
A carta de Pero Vaz de Caminha contava sobre a presença de um povo que, sob o olhar europeu, precisava ser civilizado: os índios. Desta forma, desde a colonização do Brasil, a cultura indígena é menosprezada e subjugada. Por esse motivo, os índios ainda enfrentam problemas para terem as terras que, por direito, lhes pertencem e sua cultura preservada. Esse problema deve-se ao etnocentrismo, que busca legitimar as ações de grandes empreiteiras e fazendeiros contra as propriedades aborígenes. Cabe, portanto, discutir essa problemática.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, mesmo retratado com símbolo nacional, na primeira fase romântica brasileira, a população indígena e sua cultura eram, e ainda são, desvalorizadas. Prova disso, foi a destruição do Museu do Índio no Rio de Janeiro. O que demonstrou profundo desinteresse das autoridades em preservar a cultura indígena. Além disso, apesar de terem o direito às terras tradicionalmente ocupadas, garantido pela Constituição de 1988, as comunidades indígenas precisam diminuir cada vez mais suas terras, o que gera o atual quadro de superlotação nas aldeias. Assim, as terras que lhes pertencem, e que são necessárias para sua sobrevivência, são alvos constantes de diversos setores, devido o grande potencial econômico que possuem.
Outrossim, o etnocentrismo contribui para que os interesses econômicos de grandes empreiteiras e fazendeiros sobressaia os socioculturais dos índios sobre a terra. Nesse sentido, em decorrência dessas divergências de interesses, segundo o El País, os índios entram cada vez mais em conflitos, na tentativa de preservar seus territórios. No entanto, infelizmente, a disputa histórica pela posse da terra no Brasil prestigia a classe dominante em detrimento dos menos abastados. Nesse cenário, a morte dos índios fere o patrimônio cultural imaterial brasileiro. Haja vista que a destruição dessa sociedade implica no desaparecimento de uma das culturas formadoras do Brasil.
A atuação do Estado, portanto, configura-se como fator determinante na valorização da cultura indígena e na garantia dos seus direitos. Para isso, a fim de valorizar a cultura aborígene, o Ministério da Educação deve capacitar os professores por meio de cursos e projetos que os levem para conhecer as comunidades indígenas. Aliado a isso, os professores deve trabalhar a temática sem o viés etnocêntrico, e mostrar a importância dessa sociedade, tanto no passado, quanto no presente. Ademais, o Ministério da Justiça deve dar mais autoridade e autonomia à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) para estender e agilizar os processos de demarcação de terras, a fim de evitar mais conflitos. Dessa forma, será possível preservar os direitos sociais indígenas e a cultura do país.