O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 30/10/2018
A primeira geração do romantismo ficou conhecida como “geração indianista”, pois autores como José de Alencar, através de obras como O guarani e Iracema, relatavam o modo de vida e traziam a imagem do índio como um herói nacional. Entretanto, tal imagem foi deturpada a partir da modernidade do século XXI, pois a cultura indígena - uma das matrizes brasileiras - não é devidamente respeitada como deveria, dando lugar a preconceitos. Logo, nos cabe aqui entender a importância do povo que originou o Brasil, e os entraves capitalistas industriais que impedem a sua devida preservação e valorização.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a cultura indígena teve papel crucial da formação do povo brasileiro. Sendo os primeiros povos a habitarem as terras nacionais, exploraram a natureza e converteram o conhecimento obtido em: alimentação, medicamentos, fala e religião. Somados esses aspectos, os habitantes nativos criaram um vínculo com as terras, o que os levou a cuidar do ambiente, usando os recursos para sua sobrevivência. Recursos esses, que herdamos e usamos até os dias atuais, a exemplo da culinária e ervas medicinais. Além disso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os índios desenvolveram cerca de 270 idiomas derivados da língua Tupi e possuem mais de 300 etnias diferentes. Logo, fica claro a relevância de se cuidar dessa cultura.
Ademais, mesmo a preservação sendo advinda de um ato institucional, órgãos públicos e privados cobiçam as reservas indígenas. A Constituição Federal de 1988 garante a posse dos índios sobre as terras ocupadas e o usufruto dos recursos existentes. Porém, mesmo essa prerrogativa sendo garantida por lei e ser resguardada pela Funai - Fundação Nacional do Índio - indústrias exploram ilegalmente as demarcações. Segundo uma pesquisa realizada pelo jornal digital Pública, em 40 anos, ocorreram mais de 4 mil requerimentos para mineração nas áreas indígenas; já o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) registrou, em 2014, 84 casos de invasões nas terras protegidas. O filósofo Rousseau declarou que: “Tornamo-nos deuses na tecnologia, mas permanecemos macacos na vida”, evidenciando a incapacidade do homem em ser compreensível e respeitar as culturas que o rodeiam.
Fica claro, portanto, a necessidade de se cuidar e proteger os povos indígenas. Para isso, é necessário que o poder legislativo, por meio dos deputados e senadores, elabore uma lei que assegure a proibição da mineração nas terras indígenas, para que o povo que ali habita possa se sentir seguro e amparado por lei; atualmente, tal atividade está prevista na Constituição, mas só pode ser exercida se regulamentada por legislação específica, ainda inexistente. Além disso, é imprescindível que as mídias digitais, por meio de séries, novelas ou propagandas, levem à população, um conhecimento acerca da cultura indígena, pois assim, poderemos nos tornar mestres na vida, assim como somos na tecnologia.