O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 01/11/2018

O Estatuto do Índio, criado em 1973, assegura a preservação da dignidade e cultura dos povos indígenas. Entretanto, o recente documentário ‘‘Terra Vermelha’’ evidencia a displicência do governo no que tange a proteção das terras indígenas e, também, demostra a exclusão social sofrida por esses povos devido à perpetuação de um estigma eurocêntrico. Assim, convêm analisarmos as principais causas que impedem a inserção do índio como cidadão na atualidade.

Em primeiro plano, vale ressaltar que os interesses capitalistas nas terras indígenas vão de encontro com a preservação das mesmas, apesar da Constituição Federal de 1988 assegurar o direito à terra ao índio. Dessa forma, as dificuldades na demarcação dessas terras ocasiona em inúmeros conflitos no campo pelas disputas na titularidade entre índios e latifundiários. Prova disso, foi um ataque que índios no Maranhão em 2017 sofreram após tentativas de agricultores em recuperar uma área pertencente a comunidade indígena. Diante disso, é dever do poder público garantir que a Carta Magna brasileira seja respeitada.

Outrossim, cabe salientar que o visão distorcida e preconceituosa do índio detectada na Carta de Pero Vaz de Caminha persiste até hoje. Nesse sentido, nota-se que a sociedade brasileira trata o índio com superficialidade, promovendo, assim, uma marginalização e tornando-o um invisível no meio social. Isso decorre de uma homogeneização da cultura e essência do índio feita pela escola, que aborda esse indivíduo de maneira negligente e estereotipada.Logo, a escola deve tratá-lo como um ser plural.

Fica claro, portanto, que para tornar o indígena parte da sociedade, cabe ao MEC e as instituições de ensino, promover uma desconstrução do imagem do índio, por meio de palestras e oficinas com atividades lúdicas realizadas por pedagogos e alguns representantes da comunidade indígena, a fim de efetivar a inclusão desse índio no meio social. Ademais, o Ministério da Justiça e as secretarias ambientais dos focos de conflitos, devem fiscalizar as terras com o auxílio de incentivos e subsídios estatais.