O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 30/10/2018
O poeta indianista, José de Alencar, profetizou o que não viu em “Iracema”: Moacir, o legítimo brasileiro, filho da dor, alimentado pela mãe índia à custa do próprio sangue dela, que morreu para que o filho vivesse e crescesse à imagem e semelhança do pai europeu. De maneira análoga à obra, na contemporaneidade, o tronco indígena da genealogia brasileira permanece às margens dos genitores europeus, desacreditado geração após geração. Dessa forma, seja pela negação à formação étnico-racial do país, seja pela falha do Estado em garantir os direitos básicos dos indígenas, de fato, a desvalorização desse povo ainda é um desafio a superar-se no país nem tão “tupiniquim” assim.
Em primeiro plano, é lícito referenciar a Carta do Descobrimento, escrita por Pero Vaz de Caminha, em que está relatado um olhar preconceituoso sobre os povos nativos, que incita a soberania eurocentrista e é permeada pelo “dever” de civilizar os índios. Com esse exemplo, evidencia-se a perenização do pensamento de subjugação à cultura dos nativos e perpetuação, até a contemporaneidade, do histórico discurso de inferiorização daqueles que não se curvaram ao “avanço” da sociedade. Dessa maneira, evidencia-se a negação à origem étnico-racial que formou o país, mascarada sob uma tentativa de “modernização” das tribos por parte da sociedade atual, que busca veementemente ocultar toda forma de exposição das suas raízes indígenas.
Além disso, cabe ressaltar que essa comunidade permanece em constante batalha e, na hodiernidade, o oponente tornou-se a negligência do Estado aos direitos civis básicos - como terra, saúde e educação -, que desampara os índios e marginaliza-os na sociedade brasileira. Nesse sentido, o documentário “Índio cidadão?” corrobora tal tese, pois retrata a árdua batalha travada pela população indígena do Brasil, na busca pela asseguração de seus direitos civis, negados por uma bancada ruralista interessada nas reservas desmarcadas para alocar sua atividade comercial. Por conseguinte, tal situação vem dizimando muitas tribos e impede que os direitos indígenas sejam postos em prática.
Com essas constatações, percebe-se que a valorização do índio é imprescindível para alterar o cenário atual. Dessa forma, para que se mudem os pré-conceitos sobre os nativos, a Escola, deve promover palestras com profissionais do ramo da sociologia e história, abertas a comunidade, para ajudar pais e alunos a refletirem sobre a importância da preservação da cultura indígena, de forma a findar o ciclo de subjugação. Ademais, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com a FUNAI, que protejam melhor os territórios indígenas, disponibilizando canais de denúncia e fiscais, para, assim, assegurar o respeito à demarcação de terra e do os direitos dos índios. Apenas assim, poder-se-á mudar o rumo da história das Iracemas, mães das dores, fazendo do país tupiniquim novamente.