O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 30/10/2018

A partir da análise da música “País de Poucos”, é possível observar o depoimento do rapper Fabio Brazza frente à degradante condição de exclusão das minorias brasileiras, com os indígenas, lamentavelmente, incluídos nesse cenário de preconceito e descaso social. Procedendo a isso, é notável que a dificuldade em acolher e integrar o índio, no país, deve-se à falta de alteridade de uma parcela da sociedade civil e, inegavelmente, a uma parte inoperante do Poder Público que falha em garantir as leis existentes, sendo um empecilho para a resolução do problema.

De início, há de mencionar que a ausência de colocar-se no lugar do nativo, configura-se como vetor de marginalização e a consequente ampliação de mazelas sociais. Nessa ótica, remetendo-se à teoria da Liquidez pós-moderna Bauminiana, a predominância do individualismo, para com o outro, acarreta em uma série de lastimáveis consequências, a exemplo do infeliz dado divulgado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena, o qual aponta uma taxa de suicídio 3 vezes maior que a média nacional. Por conseguinte, nota-se, por grande parte da sociedade civil brasileira, quebra dos princípios empáticos, o que leva ao aumento dos índices de depressão, suicídio e vulnerabilidade dos afeados.

Outrossim, os primeiros habitantes do Brasil encontram inúmeras dificuldades em variados âmbitos de suas vidas. Um exemplo disso é a difícil inserção dos índios na civilização brasileira, devido à precária inclusão social recebida por eles e ao preconceito intrínseco à sociedade brasileira. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratrualista John Locke, caracteriza-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que tais cidadãos gozem de direitos imprescindíveis (como direito à vida e o de manter a sua própria cultura) para a preservação da igualdade entre os membros da sociedade, o que expõe os autóctones tupiniquins a uma condição de ainda maior de exclusão, limitação de uma vida digna e a perpetuação do flagelo social.

Pode-se perceber, portanto, que os obstáculos de acolher os indígenas no Brasil precisão ser reajustados para inserção desses indivíduos no meio social. Por esse motivo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, incluir a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos infantil, fundamental e médio, essas aulas com o intuito de desconstruir o individualismo já enraizado na sociedade pós-moderna, deverão disseminar o hábito da empatia perante o índio e aqueles em situação de risco. Além disso, o Poder legislativo deve votar para a criação de uma emenda para o aumento de verbas destinadas a projetos de inserção dos nativos, oferecendo uma vida digna a eles. Consequentemente, o Brasil poderá minguar os obstáculos desse povo e a questão dos índios,possivelmente, deixará de ser um problema na nação.