O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 17/10/2018
De acordo com o sociólogo Gilberto Freyre na obra “Casa-Grande e Senzala”, a pluralidade de crenças, etnias e manifestações culturais formam a identidade de um país. Entretanto, é frustrante constatar que existe, no Brasil, desrespeito e aversão aos indígenas, o que fere, sobretudo, as diretrizes dos direitos humanos. Diante disso, deve-se analisar como a individualidade hipermoderna e a discriminação influenciam tal problemática.
A princípio, é possível perceber que o comportamento individualista vigente é responsável pelo impasse. Isso porque, na era pós-moderna, conforme defende Gilles Lipovetsky no livro “A era do vazio”, as pessoas buscam não se envolver nas relações interpessoais, o que acaba gerando, por conseguinte, num egoísmo exacerbado. Prova disso é que, infelizmente, a Câmara dos Deputados aprovou, por meio de medida provisória, a redução na demarcação de áreas indígenas nos arredores do Parque do Xingú. Em decorrência disso, cada vez mais, devido a negligência dos diversos setores da sociedade – como os políticos e latifundiários – os indígenas ficam à margem da sociedade. Outrossim, a discriminação corrobora o imbróglio em questão. Isso decorre, principalmente, segundo Nick Couldry, de uma desigualdade de fala do século XXI, na qual grupos considerados “minorias” – como os índios – não têm poder para exigir seus direitos, condenando-os, portanto, a uma inexistência no regime democrático. Bom exemplo disso é que, hodiernamente, os índios sofrem com a perda de terras devido à expansão do agronegócio no Centro-Norte brasileiro. Não é à toa, então, que, com poder de decisão ínfimo, o povo indígena acaba por ser desrespeitado perante aos mais poderosos politica e economicamente.
Torna-se evidente, portanto, que urgem medidas para resolver a problemática. Em razão disso, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir nas aulas de sociologia, de alunos dos ensinos fundamental e médio, uma instrução destes para valorizar a compaixão em detrimento ao egoísmo, para que, desprovidos de individualismo extremo, as pessoas se tornem cidadãos conscientes e respeitem os indígenas. Além disso, é imprescindível que a Câmara dos Deputados revogue a medida que diminuiu as áreas de demarcação indígena, a fim de demonstrar respeito para com estes. Dessa forma, como defendeu Gilberto Freyre, a identidade do Brasil será preservada, e os indígenas, respeitados.