O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 16/10/2018
“O Brasil vai ficar rico, vamos faturar um milhão, quando vendermos as almas dos nossos índios num leilão”, o trecho da música “Que País é esse”, de Renato Russo, faz analogia a um passado distante, mas que se perpetua até hoje. Isto é, o Brasil continua seu ciclo de enriquecimento em detrimento de uma falência cultural e social, visto que, se agrega da cultura europeia e se esquece da herança dos povos indígenas. É indubitável que o descrédito do índio atualmente possui raízes históricas, consoante a fatores econômicos, que necessitam ser contestados visando a valorização indígena.
A princípio, a Primeira Geração do Romantismo Brasileiro encontra no índio uma maneira de enaltecer a cultura nacional. A título de exemplo, tem-se a obra Iracema, de José de Alencar, na qual a protagonista homônima é consolidada como um símbolo brasileiro. Todavia, a obra também relata à submissão do indígena ao colonizador, dado que durante a trama a heroína abandona seu povo para seguir o europeu. Fora do universo literário, perpetua-se uma visão desenhada e estigmatizada desse povo, por esse motivo, o índio não tem o mesmo apreço e estima. Somado a isso, sua importância não é reconhecida nas escolas, onde a história oficial é a de que o país foi “descoberto” por portugueses, negligenciando a etnia e cultura nativa das tribos que tiveram grande importância na formação do país. Ademais, no âmbito econômico os índios deparam-se com diversos obstáculos. Outrora, a população indígena foi explorada pelos espanhóis, durante o Período Colonial trabalharam na extração de minérios no regime de mita (trabalho compulsório com insignificante remuneração) e em troca de educação cristã. Esse sistema arruinou e dizimou parte das tribos d época. Nesse ínterim, foi criado o Estatuto do Índio, que garante a posse de terras nas áreas habitadas e o direito de usufruir das riquezas naturais existentes, assim como o respeito e preservação da cultura indígena. Todavia, a hodierna busca por terras para o agronegócio e exploração de minérios faz com que as demarcações de terras tornem-se um obstáculo para o lucro de grandes proprietários rurais, que nos últimos anos entraram em disputas físicas por terras com os nativos, por esse motivo, houve um aumento de 50% em assassinatos de indígenas nos últimos dez anos no páis segundo a ONU.
Somando-se aos aspectos supracitados, faz-se necessário que o Ministério da Educação, em parceria com a Funai, produza novos livros didáticos de história, que reformulem a descrição da colonização portuguesa e evidenciem a participação do índio na cultura nacional. Em paralelo, o Governo deve demarcar terras indígenas e garantir sua preservação por meio de uma fiscalização coerente, a fim de combater a violência que faz dos índios vítimas todos os anos. Desse modo, talvez a realidade se equipare com o universo indianista idealizado pelos autores do Romantismo brasileiro.