O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 15/10/2018

Durante a 1ª Geração do Romantismo (1836-1881), criou-se uma imagem do índio de forma heroica, com a finalidade de associá-lo à construção de um sentimento nacionalista no Brasil. Entretanto, tal imagem ficou consolidada apenas no plano literal e não no âmbito social. Visto que, os indígenas na contemporaneidade são marginalizados e desalojados de suas terras. Nesse contexto, deve-se analisar como o reflexo histórico e os conflitos pelas terras, geram a problemática em questão.       É fundamental enfatizar, inicialmente, que o reflexo histórico contribuiu para que os indígenas perdessem seu espaço socialmente e fossem marginalizados. Isso decore do século XVI, quando os portugueses, durante o processo de colonização, determinaram através da opressão, seu modo de cultura: religião, língua e modo de se vestir. A sociedade, então, por tender incorporar as estruturas sociais de sua época, conforme defendeu Pierre Bourdieu, naturalizou esse padrão de opressão e desprezo pela cultura indígena ao longo de gerações. Consequentemente, tal pensamento persiste, e, hoje, é comum, por exemplo, ver pessoas que enxergam os nativos de maneira folclórica e com desprezo.                                                                                                                                                      Atrelado ao reflexo histórico, os conflitos pelas terras são outro obstáculo enfrentado pelos indígenas na contemporaneidade. O Estatuto do Índio (1973) garantiu juridicamente a posse de seus territórios. Entretanto, não obstante, a regulamentação de suas áreas não impede que fazendeiros, em busca da ocupação de novas áreas, invadam reservas indígenas de maneira ilegal. Consequentemente, essas invasões resultam em conflitos pelas terras e milhares de mortes de indígenas, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) 110 índios foram assassinados em 2017.                                                Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Ministério Público Federal (MPF), em parceria com a Funai e a Polícia Federal, promova a intensificação da fiscalização das áreas Fronteiriças indígenas, por meio, da criação de uma força tarefa em conjunto dos 3 órgãos, que esteja de prontidão para agir em eventuais conflitos e garanta soberania dos indígenas em seu território. Além disso, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir 8 horas obrigatórias de ensino sobre a cultura e a história indígena nas escolas com finalidade de reconhecer a cultura indígena e quebrar preconceitos. Só assim, garantiremos aos indígenas o seu verdadeiro espaço e evitaremos a falsa construção de uma sociedade que só valoriza os povos originários de nosso país na Literatura.