O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 15/10/2018

A carta de Pero Vaz de Caminha é considerada um dos relatos históricos mais importantes do Brasil. Nela, o famoso escrivão relata ao rei Dom Manuel sobre uma nova terra descoberta, destacando a presença de um povo que, sob olhares europeus de soberania, precisava ser civilizado. Nesse contexto, o processo de colonização brasileira foi marcado por uma forte violência perante à comunidade ameríndia, que não conseguiu resistir por completo à escravização, às guerras e às doenças trazidas da Europa, o que configurou em um verdadeiro genocídio. Na contemporaneidade, engana-se aquele que acredita que os indígenas são tratados de maneira diferente. Hoje, isentos de voz e terra, os índios lutam, dia após dia, pelo reconhecimento de seus direitos perante o Estado.

A primeira geração romântica do século XIX, titulada ufanista, ao buscar por elementos que representassem a pátria, considerava o indígena uma autêntica manifestação de brasilidade. Todavia, as obras contemplavam um povo artificial, notoriamente “europeizado” pelos artistas. Hoje, pelo contrário, vê-se no cenário brasileiro uma discriminação à cultura indígena, muitas vezes considerada inferior à ocidental. Nesse contexto, destaca-se uma grande problemática: o desrespeito a esses povos - o que culmina na falta de representatividade deles nas esferas de poder.

Além disso, faz-se necessário enaltecer os diversos conflitos envolvendo a demarcação de terras indígenas, tema debatido constantemente nos telejornais. Esse problema envolve, sobretudo, a elite agrária do país, que considera as terras homologadas como um obstáculo para a realização de suas atividades econômicas. Assim, ao se mobilizarem para a retirada dos nativos de suas terras, desconsideram um direito fundamental garantido a todos pela Constituição Cidadã: o acesso à moradia.

Portanto, ao analisar essa situação, vê-se a necessidade de destruir laços ideológicos que sustentam que o índio é um intruso, negando a eles voz, terra e respeito. Para tanto, é necessário que empresas privadas, por meio de incentivos fiscais, organizem viagens de seus trabalhadores às terras indígenas para trocar informações sobre culinária, dança, música e entre outros, visando despertar a empatia. Ademais, é de suma importância que o núcleo escolar, juntamente com as famílias, saliente aos jovens que, embora exista a declaração universal dos direitos indígenas, há uma grande discrepância entre teoria e prática, cabendo à nova geração ser motor de importantes mudanças.