O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 14/10/2018

Durante a primeira fase do Romantismo brasileiro, uma das características das obras era o indianismo, que buscava a idealização do índio. Não obstante, essa valorização do indígena não ultrapassa a literatura, pois na realidade o que vigora é a discriminação. Isto posto, percebe-se que os preconceitos de outrora ainda perpetuam na sociedade brasileira, ameaçando os direitos indígenas assegurados constitucionalmente, tornando-se imprescindíveis mudanças para reverter essa problemática.

Mormente, é indubitável que as questões indígenas convergem com a cidadania. Consoante a Constituição Federal de 1988, são reconhecidos aos índios o direito a organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre a terra que tradicionalmente ocupam. Destarte, partindo desse pressuposto, nota-se que malgrado os indígenas terem seus direitos assegurados, a execução da norma é falha, haja vista que, o avanço da agropecuária para suas terras, opressões, e condutas preconceituosas contra eles é frequente na sociedade brasileira, impedindo-lhes o exercício da cidadania - fere o direito legal sobre a posse da terra tradicionalmente ocupada e, outrossim, ameaça outro princípio fundamental: o direito à vida.

Conquanto, a problemática está distante de chegar a um desdobramento final. Dessarte, ao analisar as questões indígenas por um prisma estritamente histórico, percebe-se que o eurocentrismo vigorado durante o Brasil Colônia, influenciou profundamente à vida de populações de gerações vindouras. Logo, partindo desse pressuposto, conclui-se que, atualmente, na sociedade brasileira, engajados na ideologia de superioridade, opressores perseguem e reprimem os indígenas, tolhendo-lhes de seus direitos, fazendo-se necessário a criação de políticas públicas mais palpáveis visando a desconstrução da visão do “índio submisso”.

Fica claro, portanto, que as questões indígenas está diretamente relacionado ao preconceito e, por conseguinte, acaba ameaçando o exercício da cidadania. Assim sendo, cabe ao Ministério da Educação investir em atividades extracurriculares nas escolas, por meio de debates trimestralmente para pais e filhos, ministrados por professores e especialistas, engajados na desconstrução da visão preconceituosa contra os indígenas - mediante a uma abordagem voltada a dignidade da pessoa humana e no tocante às consequências de sua conduta no arranjo social. Diante disso, a problemática poderá ser resolvida de médio a longo prazo, porém, de maneira eficiente, extinguindo todos os tipos de pensamentos e condutas preconceituosas contra os índio e, desse modo, garantindo seus direitos, pois como já dizia Immanuel Kant: o ser humano é aquilo que a educação faz dele.