O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 13/10/2018
No Brasil, durante a Ditadura Militar, foi criado o Estatuto do Índio com o intuito de preservar a cultura indígena e integrá-los, progressiva e harmoniosamente, à comunhão nacional. Passado quase meio século, os índios brasileiros ainda não desfrutam plenamente de seus direitos, mesmo os mais básicos. Diante dessa perspectiva, cabe salientar, que os principais desafios dos indígenas brasileiros na contemporaneidade estão na falta de representação política no Estado e na luta contra a expansão da fronteira agrícola que tenta incorporar áreas protegidas.
Em primeiro plano, é indubitável que a falta de representantes indígenas na política brasileira esteja entre um dos principais desafios. De acordo com a paquistanesa ganhadora do prêmio Nobel da paz, Malala, “Só damos valor a nossa voz quando somos silenciados”. Ao seguir essa linha de pensamento, percebe-se que a falta de vozes representativas se encaixa na máxima da menina ao observar que a quase inexistência de políticos indígenas -nas esferas municipais, estaduais e federais- faz com que pautas importantes para os indígenas, como a segurança, o acesso à saúde e à educação em tribos, sejam prescindidas, e os índios por sua vez, silenciados.
Cabe salientar, outrossim, que o recrudescimento da fronteira agrícola e a necessidade de proteger as demarcações de terras indígenas como outro desafio pertinente. Desde o descobrimento do Brasil, o homem europeu pouco se importou com os territórios ocupados pelos índios. Esse pensamento, infelizmente, ainda permanece ligado à cultura de alguns brasileiros. Com a busca de novas áreas para plantio -principalmente de soja- e criação de gado, conflitos entre fazendeiros armados e indígenas são recorrentes. Aqueles, muitas vezes amparados por uma bancada ruralista e fortes economicamente, este, tentando proteger seu direito à terra previsto na Constituição de 1988(Cidadã).
Diante dos fatos supracitados, torna-se imperativa a ação do Estado e da sociedade para a correção deste impasse. É papel do Poder Executivo ampliar a fiscalização nas áreas de fronteiras de terras indígenas, com o uso de drones e satélites com avançados “softwares” de monitoramento, visto que o Estatuto do Índio, por si, não é suficiente para garantir este direito. Por fim, é dever da sociedade brasileira, como um todo, reconhecer a falta de representatividade política e a importância dos índios para a história do país, apoiando candidaturas de políticos que representam e que protejam os interesses desta importante parte da diversidade do Brasil. Além dessas, outras medidas são necessárias, porém, segundo o sociólogo Oscar Wilde, “O primeiro passo é o mais importante para a evolução de um homem ou nação”.