O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 13/10/2018

Transigência histórica

Um dos legados mais significativos consolidados pelo Romantismo — movimento literário, político e filosófico iniciado no século XVIII — foi a valorização da cultura brasileira, sobretudo indígena, a partir da publicação da obra ‘‘Iracema’’, de José de Alencar. No entanto, a negligência em políticas públicas nacionais opõe-se às premissas românticas. Urge, portanto, inquirir a problemática em consonância ao cenário e agentes sociais envolvidos.

Em primeiro plano, é consistente frisar que a inclusão de práticas que exploram áreas indígenas, de vieses econômicos, como construções civis, detêm cunho antagônico: ora pela Constituição Brasileira de 1988 que prevê isonomia, independente da etnia, ora pela crescente taxa de atividades no ramo indígena, que acarretam ao desrespeito em tal modo de vida. Prova disso são dados do site UOL, que expõem a destruição excessiva nos campos aborígenes brasileiros devido à instalação de usinas hidrelétricas, como a de Belo Monte, na Amazônia. Com efeito, cabe aos órgãos fiscalizadores intervirem no âmbito e cumprirem preceitos estabelecidos na Carta Magna.

Outrossim, convém ressaltar que o desfavorecimento autóctone no território brasileiro não trata-se de um acontecimento recente. Isso se evidencia pelo olhar histórico no rol, marcado pela incisiva exclusão de índios em esferas sociais, que caracterizaram a passagem do Brasil Colônia à República, como a ausência em decisões políticas. Em suma, tal etnocentrismo que compôs a trajetória indígena em solo latino-americano — que persiste até os tempos atuais —, pode ser explicado pela obra ‘‘Modernidade Líquida’’ do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que explica a massiva presença de ações individualistas na construção da pós modernidade.

Impende, pois, a adoção de medidas que visem, a curto prazo, preservar a cidadania e garantir o bem estar social dos índios. Dessa forma, cabe ao Ministério da Cultura intensificar ações ativistas, como alastrar a influência de leis que visem limitar a exploração de reservas indígenas, a fim de estimular um ambiente justo e harmonioso. Ao Ministério da Educação, por sua vez, como instrumento de socialização, compete promover o aumento na carga horária de estudos sociológicos, que tendam a compreender a importância histórica do índio na sociedade. Logo, sob a aplicação de tais medidas, seria visível a construção de cidadãos mais transigentes, que valorizem a matriz histórica nacional, e por conseguinte, orgulharia a vertente romântica.