O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 12/10/2018
A obra “O princípio da responsabilidade”, escrita pelo filósofo alemão Hans Jonas, calcava-se na ideia de que os seres futuros exigem, eticamente, compromisso daqueles que os gerarão. Contudo, a postura dos cidadãos brasileiros frente à questão do índio na atualidade configura-se como um grande obstáculo para a concretização desses preceitos, uma vez que a desvalorização de tal cultura acentua o preconceito e descaso já existente na sociedade e corrobora com a desumanização desse povo.
Mormente, ao observar-se por um prisma estritamente histórico, vê-se que durante a colonização portuguesa diversas tribos indígenas foram dominadas, escravizadas e dizimadas pelos colonizadores. Nesse sentido, observa-se que a marginalização do índio, concernente aos dias atuais, remonta a este período, haja vista que, hodiernamente, o povo aborígene sofre com práticas preconceituosas e intolerantes, a exemplo do não reconhecimento dos autóctones como cidadãos, mesmo que estes possam exercer direitos civis e políticos no país. Lamentavelmente, vê-se que apesar da Constituição reconhecer a cidadania indígena, estes ainda não possuem igualdade política, mas contrariamente possuem seus direitos negados.
Sob esse viés, observa-se que a exploração ambiental em busca do lucro constitui-se como um dos fatores preponderantes para a devastação do território dos índios, dado que muitas vezes a extração de tais recursos interfere nas áreas em que estão localizadas as terras desses povos, constituindo um grave problema à manutenção de sua cultura, e consequentemente de seus direitos. Outrossim a criação de hidrelétricas têm corroborado com este problema, uma vez que a construção de barragens representa uma ameaça à preservação dos rios utilizados por diversas tribos, e por sua vez, um risco a sua sobrevivência.
Em virtude dos fatos mencionados, depreende-se que a problemática urge por medidas interventoras. Destarte, cabe às escolas o papel de elucidar os impactos dessa questão em atividades lúdicas e palestras que utilizem de dados estatísticos, obras literárias e exemplos históricos, tais como a colonização portuguesa no Brasil, com o fito de integrar os alunos e informá-los sobre a importância dos índios para a identidade brasileira - uma vez que ações coletivas têm imenso poder transformador sobre a sociedade - . Paralelamente, é dever do Estado implementar uma política indigenista que extinga as relações de dominação impostas pelo modo de vida não-indígena, através da campanhas e propagandas por meio das mídias, a fim de respeitar as singularidades dos diferentes povos aborígenes e mitigar situações de desagregação social territorial, ambiental ou econômica. Apenas assim chegar-se-á a um país mais justo e igualitário aos seres que virão, tal qual idealizado por Hans Jonas.