O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 27/09/2018
José de Alencar, escritor pertencente à escola literária do Romantismo, ocorrida no século XVIII, concebeu livros como “Iracema” e “O Guarani”. Nessas obras, esse romancista construiu a figura indígena como uma espécie de “herói nacional” e expoente máxima da cultura brasileira, exaltando além de capacidades físicas, suas características socioculturais. Contudo, a concepção idealista e engrandecedora atribuída ao índio, na contemporaneidade, tornou-se apenas uma herança literária. Isso porque, a banalização cultural desse nativo brasileiro transformou-se em uma problemática grave que implica essencialmente a demarcação de terras pertencentes a esse grupo.
Em primeira análise, denota-se o Determinismo, teoria filosófica discutida nos séculos XIX e XX, que conceituava o homem como reflexo do meio no qual ele está inserido. Sob esse viés, remete-se o processo histórico brasileiro em que colonizadores europeus recriminaram dialetos e manifestações culturais indígenas. Diante disso, em sua carta de descobrimento do Brasil, Pero Vaz de Caminha expressou sua visão eurocêntrica sobre os nativos, utilizando termos como “selvagens” e “bárbaros” para caracterizá-los. Nesse sentido, ao longo dos anos, atrelou-se ao ideário nacional, a inferiorização e o menosprezo perante a figura e, principalmente, cultura do índio brasileiro.
Outrossim, a esfera política do Brasil tem em sua formação um grupo denominado “bancada ruralista”. Essa união entre fazendeiros políticos, capacitados de poderes legislativos, fomenta a expansão acentuada da Fronteira agrícola, região situada na divisa entre os estados do Mato Grosso e Amazonas. Com isso, o constante crescimento agropecuário presente nessa área, promove, além do desmatamento, a aniquilação da cultura indígena que reside na região amazônica. Sendo assim, é notório o desamparo não apenas sociocultural, mas político, sofrido pelo indígena na atualidade brasileira.
Sob essa percepção, é nítida a defasagem de apoio federal vivenciada pela população indígena. Portanto, cabe ao Governo Federal promover campanhas midiáticas que incentivem a denúncia contra qualquer subjugamento e preconceito étnico-racial. Além disso, o âmbito político brasileiro deve reforçar discussões legislativas a respeito da demarcação de terras indígenas no Brasil bem como combater a destruição ambiental, contrariando a ideia de promovê-la por interesses econômicos. Dessa forma, o índio poderá gozar de elementos que, infelizmente, estão escassos na realidade do país: o respeito e a igualdade.